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Varejo registra alta de fraudes com avanço da inteligência artificial

Setor soma mais de 195 mil tentativas até setembro de 2025 e especialistas alertam que inovação exige reforço em identidade digital e autenticação

Varejo registra alta de fraudes com avanço da inteligência artificial (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil )

247 - Em um cenário no qual o varejo global acelera o uso de inteligência artificial para redesenhar sua arquitetura operacional — tendência amplamente debatida durante a NRF 2026 —, os riscos de fraude avançam em ritmo semelhante, tanto em volume quanto em sofisticação. Dados do Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, mostram que o setor varejista registrou 195.217 tentativas de fraude entre janeiro e setembro de 2025, um crescimento de 4,1% na comparação com o mesmo período de 2024.

A análise do indicador, divulgada pela Serasa Experian, aponta para uma transformação estrutural no setor. A inteligência artificial deixa de atuar apenas como ferramenta de personalização da experiência do consumidor e passa a assumir decisões cada vez mais autônomas ao longo de toda a jornada de compra. Esse avanço amplia a eficiência operacional e reduz atritos no processo de venda, mas, ao mesmo tempo, cria um ambiente de risco mais complexo, marcado por processos automatizados, fluxos mais rápidos e decisões em tempo real que exigem bases sólidas de confiança e gestão de identidade.

Segundo o Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Rodrigo Sanchez, à medida que agentes de IA ganham escala e autonomia no varejo, a identidade do consumidor passa a ocupar um papel estratégico para sustentar a inovação de forma segura. “Quando a inteligência artificial passa a operar decisões de forma cada vez mais autônoma, a confiança deixa de ser um diferencial competitivo e se torna infraestrutura. Por isso, investir em soluções de autenticação e prevenção à fraude, que asseguram que o consumidor é, de fato, ele mesmo, é fundamental não só para proteger a operação, mas também para reduzir perdas e retrabalho, preservando a experiência de quem compra”, afirma.

Sanchez acrescenta que o cuidado com a identidade traz ganhos diretos para toda a cadeia. “No fim, quando a identidade é tratada com rigor e inteligência, o varejo ganha eficiência: a IA opera com dados mais íntegros, o negócio sustenta a inovação e o consumidor avança com mais segurança”, completa o executivo.

Além do volume já registrado até setembro, a Serasa Experian estima que 2025 tenha sido encerrado com mais de 250 mil tentativas de fraude no varejo. No período analisado, a frequência média foi de uma tentativa a cada dois minutos, um dado que evidencia a corrida paralela entre empresas e fraudadores. Enquanto o varejo busca reduzir fricções para vender mais, criminosos tentam explorar essas mesmas simplificações para atacar com maior rapidez.

O desafio de equilibrar conversão e proteção também aparece em outro levantamento da datatech. Um estudo recente indica que o varejo digital brasileiro pode recuperar até R$ 4,6 bilhões por ano ao simplificar etapas repetitivas do processo de compra e adotar modelos de autenticação e checkout mais enxutos, desde que sustentados por uma base confiável de verificação de identidade. De acordo com a Serasa Experian, o uso de uma identidade digital reutilizável e previamente validada, como ocorre no Serasa Pass, pode tornar a jornada de compra mais eficiente sem abrir mão da segurança, contribuindo tanto para a redução de perdas quanto para o aumento da receita.