Wogar metalúrgica reduz custos e ganha eficiência com apoio do Brasil Mais Produtivo
Empresa de Caxias do Sul reorganiza processos, economiza R$ 80 mil em energia e amplia produtividade após participar de jornadas do programa federal
247 - Com 16 anos de atuação no setor metalúrgico e sede em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, a Wogar Indústria Metalúrgica atravessa uma fase de reorganização e crescimento. Especializada em usinagem, fabricação de pequenas peças e projetos dedicados, a empresa encontrou no programa Brasil Mais Produtivo uma oportunidade concreta para rever processos internos, atualizar práticas de gestão e ampliar a eficiência operacional.
A experiência da Wogar integra ações divulgadas originalmente no âmbito institucional do programa Brasil Mais Produtivo, iniciativa coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com Sebrae, Senai, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES. A proposta do programa é apoiar micro, pequenas e médias empresas na modernização produtiva, com foco em eficiência, transformação digital e competitividade.
Para o proprietário da empresa, Edgar Vigioli, um dos maiores desafios de quem empreende está justamente em conseguir enxergar os próprios gargalos. Envolvido com a rotina operacional, o empresário reconhece que a análise estratégica muitas vezes fica em segundo plano. “Por mais que a gente seja empreendedor, muitas vezes ficamos absorvidos pela operação, atendendo clientes e resolvendo problemas. A atualização acaba ficando para depois. O programa, em parceria com o Sebrae, entrou justamente quando precisávamos de ajuda”, afirma.
Segundo Edgar, além de identificar falhas e desperdícios, a consultoria externa teve um papel importante na mobilização da equipe. Convencer colaboradores sobre a necessidade de mudanças, explica ele, nem sempre é simples no dia a dia de uma pequena empresa. “Muitas vezes sabemos os problemas, mas fechamos os olhos. O consultor vem, questiona, mostra o que está errado e traz uma roupagem diferente para ferramentas que já conhecemos. Isso faz a gente enxergar com mais clareza”, relata.
Economia de energia com retorno rápido
A Wogar participou de duas jornadas do Brasil Mais Produtivo. A primeira foi voltada à eficiência energética. Nessa etapa, a empresa recebeu um diagnóstico detalhado do ambiente produtivo, identificou desperdícios e implementou soluções práticas dentro de um cronograma de aproximadamente 40 dias.
O resultado foi uma redução anual estimada em cerca de R$ 80 mil nos custos com energia elétrica. Edgar ressalta que as mudanças foram além de ajustes superficiais. “Não foi só trocar lâmpada. Foram mudanças reais, que reduziram o nosso consumo e trouxeram retorno imediato. Quem não quer transformar redução de custo em receita?”, questiona.
Produtividade e reorganização interna
Na segunda jornada, dedicada à produtividade, o foco esteve na movimentação dos colaboradores e na dinâmica do chão de fábrica. O mapeamento dos fluxos internos revelou, por exemplo, que um operador chegava a percorrer quase um quilômetro por dia dentro da empresa, muitas vezes para buscar ferramentas simples, de baixo custo, disponíveis em apenas um ponto da planta.
A partir desse diagnóstico, foram adotadas medidas pontuais, mas de grande impacto, como a reorganização de células de trabalho, a aproximação de ferramentas essenciais dos operadores, a duplicação de itens de baixo valor para evitar deslocamentos desnecessários e ajustes de layout sem a necessidade de grandes obras.
Mesmo atuando com peças unitárias e processos altamente variáveis, a empresa obteve ganhos relevantes. As mudanças reduziram entre 15% e 18% o tempo de execução dos processos analisados, segundo o empresário.
Mudança de mentalidade como principal legado
Para Edgar Vigioli, mais do que os números, o principal legado do Brasil Mais Produtivo foi a transformação cultural dentro da empresa. “Tudo pode melhorar. O programa traz uma forma mais leve de aplicar conceitos de grandes sistemas de produção, adaptada à realidade das pequenas empresas. Ele faz a gente olhar para dentro, reconhecer as oportunidades e agir”, afirma.
Atualmente, a Wogar segue implementando ajustes e fortalecendo sua estrutura interna, com foco na redução de movimentações desnecessárias, no melhor aproveitamento das máquinas e na busca contínua por eficiência. O próximo passo, segundo o empresário, será investir de forma mais estruturada no planejamento e na programação das máquinas.
“Somos competitivos e trabalhamos muito. O brasileiro tem capacidade. O que precisamos é parar de fazer sempre do mesmo jeito. O Brasil Mais Produtivo nos ajudou justamente a enxergar onde podíamos melhorar e o Sebrae segue nos auxiliando em toda essa jornada”, conclui.
Alcance nacional do programa
Criado para apoiar a modernização produtiva, o Brasil Mais Produtivo já alcançou, em dois anos, 67,5 mil empresas em todo o país. Desse total, 30,5 mil pertencem ao setor industrial e 37 mil aos segmentos de comércio e serviços. Ao todo, foram realizados mais de 90 mil atendimentos, já que uma mesma empresa pode participar de mais de uma modalidade do programa.
De acordo com dados do Senai e do Sebrae, empresas que passaram por consultorias voltadas à manufatura enxuta — sistema de gestão industrial que busca aumentar eficiência e produtividade por meio da redução de erros, redundâncias e desperdícios — registraram aumento médio de 28% na produtividade após a implementação das melhorias.