"Campanha da burguesia contra Bolsonaro é bem mais leve do que foi contra Lula", diz Rui Costa Pimenta
Presidente do PCO alerta para o fato de que Jair Bolsonaro ainda não foi descartado pela classe dominante
247 – Em entrevista à TV 247, o presidente do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta, fez um alerta: a classe dominante ainda não descartou completamente Jair Bolsonaro. Na sua visão, a burguesia está apenas tentando reconstruir uma direita supostamente civilizada. "A campanha contra o PT e contra o presidente Lula era avassaladora. Com Jair Bolsonaro, é totalmente diferente, é bem mais leve. Não vão nem chegar perto dos generais", diz ele. "Os escândalos do Bolsonaro não afetaram em nada a polarização", acrescenta.
Rui Costa Pimenta vê uma guerra interna no seio da burguesia. "O objetivo do ataque ao Bolsonaro é recriar uma direita civilizada, que não é civilizada. Quem deu o golpe na Dilma e prendeu o Lula foi a 'direita civilizada'. A 'direita civilizada' é um lobo em pele de cordeiro. O Bolsonaro é um cordeiro em pele de lobo", ironizou.
Ao falar sobre a América Latina, Rui disse que a extrema direita cresce na Argentina porque o governo de Alberto Fernández fracassou. E disse ainda que isso deveria servir de alerta para o presidente Lula. "O governo Lula está jogando na defesa para não levar gol e tentar fazer algo no contra-ataque. O PT não quer mobilização popular", pontuou.
Na entrevista, ele também defendeu uma campanha pela reestatização da Eletrobrás. "É óbvio que há conexão entre o apagão e a privatização", afirmou. Sobre as relações com a Câmara, ele afirmou que Arthur Lira é o representante do baixo clero. "Quando a burguesia precisou derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff, eles precisaram dar poder ao baixo clero. A partir daí, eles adquiriram muito poder. É uma maioria muito expressiva. Eles estão com a faca e o queijo na mão. O PT precisa pensar em uma ação extraparlamentar para tentar conter o Lira", alertou. Assista:
