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Centrais sindicais mobilizam 1º de Maio com foco na redução da jornada e eleições

João Carlos Gonçalves, o Juruna, destaca pauta unitária da classe trabalhadora, critica precarização e defende participação política nas urnas

Brasília (DF) - 15/04/2026 - Centrais sindicais e movimentos sociais realizam a 3ª Marcha da Classe Trabalhadora na Esplanada dos Ministérios (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - As centrais sindicais preparam um 1º de Maio descentralizado e com forte conteúdo político em 2026, com foco na redução da jornada de trabalho, no fim da escala 6x1 e na mobilização para as eleições. A informação é do dirigente João Carlos Gonçalves, o Juruna, dirigente da Força Sindical, em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247.

Segundo ele, as ações do movimento sindical já vêm sendo articuladas desde abril, com iniciativas nacionais unificadas. “A primeira coisa que nós fizemos foi a Marcha Brasília, onde reunimos 18 mil trabalhadores e tiramos uma pauta unitária”, afirmou.

A agenda construída pelas centrais reúne 68 propostas e já foi entregue ao presidente Lula e ao presidente da Câmara, Hugo Motta.

Entre os principais pontos estão: redução da jornada de trabalho para 40 horas; fim da escala seis por um; regulamentação do trabalho por aplicativos; queda da taxa de juros; combate ao feminicídio. 

“Em vez de fazer um ato central, vamos incentivar os sindicatos a fazerem em suas cidades para ganhar os associados e os representados naquela atividade”, explicou.

Além das reivindicações trabalhistas, o movimento sindical pretende usar a data para incentivar a participação política da classe trabalhadora.

“Cada sindicato vai fazer uma campanha de cidadania, incentivando nossos trabalhadores e trabalhadoras a votarem e votarem conscientes”, disse.

O dirigente ressaltou que as eleições serão decisivas não apenas para presidente, mas também para o Congresso Nacional. “São os deputados federais, os senadores, que muitas vezes acabam decidindo coisas contra a gente”, enfatizou.

Na entrevista, Juruna também fez uma análise das transformações recentes no mercado de trabalho e seus impactos sobre os sindicatos.

“Hoje temos companheiros e companheiras terceirizados, que não estão vinculados aos metalúrgicos, por exemplo com isso a ação do sindicato hoje se transformou”, explicou.

Ele destacou ainda o avanço da informalidade. “Nós temos metade da população brasileira que trabalha sem registro. Uma pessoa que está de bicicleta entregando marmita e hoje é tratado como empreendimento”, mas sem garantias previdenciárias e de segurança.

A redução da jornada de trabalho, uma das principais bandeiras históricas do movimento sindical, voltou ao centro do debate político e legislativo. Juruna defendeu que o momento eleitoral é adequado para discutir o tema.
“É justamente o momento porque é momento de eleição, é o momento de debater questões que nós queremos que se modifiquem no nosso país”, enfatizou.

Ele também destacou a importância da mobilização social para avançar no Congresso.  “Nada se conquista sem mobilização”, salientou.


Eleições são decisivas

O dirigente enfatizou que a escolha de representantes comprometidos com as pautas da classe trabalhadora será determinante.

“Acertar o voto é votar naquele candidato que se comprometa com as nossas reivindicações”, afirmou. Ele também reforçou a necessidade de acompanhamento político contínuo. “A participação política não é só você ir lá no dia de votar”, disse.

Ao comentar o cenário econômico, Juruna defendeu políticas voltadas à geração de empregos de qualidade.

“A geração de emprego e emprego de qualidade é uma das questões fundamentais. “É importante que o governo esteja atento a incentivar as empresas brasileiras [...] que gerem empregos de qualidade”, destacou, reaforçando a importância da indústria.