Deputado Fábio Félix cobra CPI e critica ausência de Ibaneis na abertura do legislativo do DF
Deputado distrital aponta crise no GDF, questiona papel do BRB no caso Banco Master e diz que governador “não tem as respostas necessárias”
247 - O deputado distrital Fábio Félix (PSol-DF) afirmou que a Câmara Legislativa do Distrito Federal iniciou o ano “quente e cheio de novidades”, em meio à crise envolvendo o governador Ibaneis Rocha (MDB) e o caso Banco Master. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, na qual o parlamentar detalhou o clima político no DF, a tentativa de criação de uma CPI e as suspeitas sobre a atuação do BRB.
Segundo ele, na abertura do ano legislativo de 2026 houve “uma manifestação forte na Câmara Legislativa pedindo impeachment do governador e a instalação da CPI, que vai investigar de fato o que aconteceu nesse último período e o papel do governador do Distrito Federal, de agentes públicos, gestores do BRB”.
A oposição protocolou um novo pedido de impeachment contra o governador, com base em supostos crimes de responsabilidade relacionados às negociações do Banco de Brasília (BRB) para tentar adquirir o Banco Master. Ao todo, três pedidos já foram apresentados.
O deputado também chamou atenção para um fato que classificou como inédito. “Pela primeira vez na abertura dos trabalhos, na sessão solene de abertura dos trabalhos, não compareceu o governador do Distrito Federal, nem a vice e nenhum emissário”, contou o parlamentar. A cerimônia foi suspensa e transformada em sessão ordinária.
“Ninguém apareceu aqui para prestar conta de trabalho. O governador protocolou pela porta dos fundos da Câmara Legislativa uma cartinha indicando de intenções para dois mil e vinte e seis”, afirmou.
Para Fábio Félix, o episódio é um indicativo do momento político. “Isso, para mim, é o termômetro do tamanho da crise que nós estamos enfrentando. O governador não tinha as respostas necessárias para apresentar para a população do DF, desprestigiou, virou as costas para o poder legislativo”, frisou.
Ele acrescentou ainda que “nenhum parlamentar sequer se inscreveu para fazer uma fala defendendo o governador do Distrito Federal na primeira sessão legislativa do ano”.
Sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o deputado explicou que a oposição ainda busca o número mínimo de assinaturas. “Nós estamos lutando para a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito que investigue o caso, especialmente, óbvio, o papel do BRB e dos gestores públicos do DF. Mas a gente hoje só tem sete assinaturas e precisa das oito assinaturas que viabilizem a abertura da comissão parlamentar de inquérito”, disse.
Ele defendeu que o foco das apurações deve ser o governo do DF e a relação com o Banco Master. “O nosso esforço aqui tem sido para mostrar o papel dos gestores do Distrito Federal”, destacou Fávio, afirmando que “não se trata, no caso do governador Ibaneis Rocha, só de encontros com o dono do Banco Master. Se trata de encontros, investimentos e relação direta do Banco Público de Brasília, inclusive com a tentativa de aquisição do Banco Master por parte do BRB".
Fábio Félix mencionou ainda os valores envolvidos. “Quando o BRB quis fazer a aquisição final do Banco Master, ele já tinha comprado mais de R$ 12 bilhões de ativos do Banco Master”, lembrou. Ele comparou com outro caso citado na entrevista: “Se você compara isso com a atividade da RioPrevidência, por exemplo, que comprou um bilhão, o BRB já havia comprado doze vezes a mais do que a RioPrevidência comprou.”
O deputado informou que levou o caso à Procuradoria-Geral da República. “Eu fui à PGR pedindo que os bens do governador fossem bloqueados (…) e também que ele fosse investigado”.
O governador passou a ser formalmente investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) após a abertura de um procedimento que menciona seu nome em operações consideradas suspeitas, envolvendo tanto o Banco Regional de Brasília (BRB) quanto o Banco Master. O caso foi distribuído por sorteio à ministra Isabel Gallotti e encontra-se sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar o conteúdo e indicar eventuais diligências.
Ao comentar a importância do banco público, Fábio Félix ressaltou o papel estratégico da instituição. “O BRB é um dos poucos bancos públicos estaduais do Brasil. Ele é um banco que tem sido fundamental para o investimento em políticas públicas no DF, porque os seus lucros voltam para o orçamento público, tendo em vista que o GDF é o sócio majoritário”, salientou.
Ele citou ainda a relação com a previdência e os serviços públicos. “Os seus investimentos ajudam no pagamento dos aposentados, porque o Iprev é um dos sócios do BRB, tem cerca de 17% das suas ações”, afirmou o parlamentar, destacando que o banco opera políticas sociais e serviços. “Vários benefícios sociais são pagos pelo BRB”, enfatizou.
Diante disso, o deputado classificou como grave a situação envolvendo o banco. “Isso só aumenta o tamanho da gravidade do crime cometido contra o BRB, porque é um crime o que fizeram com o Banco da Importância, da estatura do BRB”, frisou.
Fábio Félix ainda contestou a versão de que o governador não teria participado ativamente das decisões. “Não acredito que ele tenha entrado mudo e saído calado”, afirmou, ao mencionar encontros com Daniel Vorcaro.
O parlamentar defendeu que as investigações avancem e que seja apurado quem se beneficiou das operações. “É preciso que a investigação siga o dinheiro. Quem ganhou dinheiro com essa operação? A gente sabe quem perdeu, no caso do DF, o BRB, no caso do DF, a população, que é a dona do BRB”, finalizou.