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Derrota de Bolsonaro quebrou narrativa da direita de que é possível comprar votos com auxílios, diz advogado

Matheus de Almeida afirmou que os R$ 400 bi gastos por Bolsonaro foram erro político: "terão que responder pelo mal que fizeram ao Brasil, à Caixa Econômica Federal e à população"

Bolsonaro e Auxílio Brasil (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino | Leonardo Sá/Agência Senado)
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247 - O advogado Matheus de Almeida, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP e filiado à Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, comentou a recente notícia de que a Caixa Econômica Federal censurou um documento sobre o empréstimo consignado do Auxílio Brasil, usado para favorecer Bolsonaro na eleição, em entrevista ao programa Boa Noite 247.

Em sua fala, Matheus ressaltou a importância de uma figura como Maria Rita Serrano na presidência da Caixa atualmente, destacando sua referência técnica e sua contribuição para a recuperação da soberania democrática da instituição que representa a soberania do Brasil. Almeida destacou que a Caixa sempre foi alvo de disputas políticas, servindo como moeda de troca para interesses do Centrão, e alertou para a possibilidade de que essa dinâmica se repita.

Ele também apontou questões de transparência e legalidade nas ações da instituição: "o princípio constitucional é o da transparência. Quando o órgão regulador pede documentos e eles são enviados com tarjas, é extremamente fora dos padrões constitucionais. Quem foram os diretores? Quem os indicou? Essas são perguntas dentro do Direito que precisam de resposta."

Matheus de Almeida comentou a postura da Controladoria Geral da União (CGU) e enfatizou a importância de investigações: "a CGU deu prazo para a Caixa apresentar os documentos sem tarja e  se explicar, setenta e duas horas, três dias. Agora, é preciso haver alguma medida legal pra que isso não ocorra novamente, porque, ao fim e ao cabo, foi perda de dinheiro público. Porque o sujeito do auxílio recebeu, fez o consignado, e aí, em algum momento, chegou-se à conclusão que ele não deveria estar recebendo o auxílio e que o governo Bolsonaro o colocou irregularmente no cadastro. Ele parou de receber o auxílio e parou de pagar o empréstimo consignado também? Isso é rombo nas contas".

"No imaginário da direita e da extrema direita, é possível comprar as pessoas via auxílio e dinheiro público. E aí essa eleição provou exatamente o contrário: que R$ 400 bilhões gastos, um caminhão de dinheiro feito [...] embasado nessa tentativa de 'vamos comprar as pessoas, porque é muito fácil de se manipular o cidadão brasileiro', e eles perderam. Foi um cálculo político extremamente errado da parte deles e agora terão que responder judicialmente por todo o mal que eles fizeram ao Brasil, à Caixa Econômica Federal e à população brasileira", concluiu. Assista à entrevista completa abaixo: