Economista explica que diminuição da oferta e desvalorização cambial são responsáveis pelo preço do arroz: ‘não é inflação’

A economista Juliane Furno disse à TV 247 que o aumento no custo do arroz não está ligado à inflação e afirmou que o fato tem “explicações múltiplas”. Assista

www.brasil247.com - Juliane Furno
Juliane Furno (Foto: Pilar Olivares/Reuters | Imprensa SMetal)


247 - A economista Juliane Furno explicou à TV 247 as razões pelas quais o arroz tem sido vendido a preços tão elevados no Brasil. Segundo Juliane, a alta do alimento não está ligada a inflação, e sim à diminuição da oferta do produto e à desvalorização cambial do real.

Ela refutou as teorias de que o Brasil esteja sob processo inflacionário e, por este motivo, o quilo do arroz estivesse mais caro. “A gente não está vivendo um processo inflacionário, a gente não tem risco de ter um processo inflacionário no Brasil. O preço alto não significa a alta de preço, a inflação significa um processo contínuo e generalizado de aumento de todos os preços básicos da economia. O remédio desse diagnóstico inflacionário passaria necessariamente pela política monetária, pela atuação do Banco Central, e o que a gente está vendo aqui é um caso particular que envolve outro tipo de política, que é pensar a forma como a gente produz alimento no Brasil”.

Juliane Furno disse que os principais exportadores de arroz não estão vendendo o alimento em tanta quantidade quanto faziam antes, o que faz a oferta do produto diminuir e o custo aumentar. “Esse fenômeno tem explicações múltiplas. Tem um processo pelo lado da demanda, ou seja, pelo lado da oferta de arroz. Os grandes exportadores mundiais de arroz, como a Índia o Vietnã, têm reduzido a oferta global de arroz por questões de soberania e segurança alimentar interna e por barreiras sanitárias da crise do coronavírus. Então preço mundial do arroz subiu nesse último período porque teve uma redução da oferta desses grandes ofertantes de arroz”.

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Paralelamente à redução da oferta do produto, a desvalorização do real em relação ao dólar faz com que outros países busquem o arroz brasileiro para importarem, o que provoca uma saída forte do alimento de dentro do Brasil e resulta na elevação do custo. “Em segundo lugar, tem a questão da desvalorização cambial. O processo do dólar estar bastante apreciado em relação ao real gera pelo menos três cenários diferentes que incluem no preço do arroz. O primeiro deles é que os produtos importados ficam mais caros. O fato do dólar também estar bastante apreciado estimula as exportações, ou seja, é mais barato que os países comprem o arroz brasileiro do que comprem de outros lugares em função da nossa taxa de câmbio. E também porque o preço desses produtos da cesta básica são comercializados em bolsas de valores, eles são commodities agrícolas, eles são precificados no mercado internacional. Com o petróleo e o combustível aconteceu um cenário parecido há um tempo, o combustível estava seguindo um preço de transação internacional e por isso a gente tinha aumentos constantes no preço da gasolina no Brasil mesmo que o custo da produção não tivesse aumentado”.

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Para exemplificar o impacto da desvalorização cambial nas cifras do arroz, a economista fez cálculos que mostram como o custo da saca do grão aumentou em mais de R$ 20 de janeiro até setembro. “Um saco de arroz de 50 quilos que custa US$ 20, custava quando a gente tinha uma taxa de câmbio de US$ 1 para R$ 4,27, como era em janeiro, R$ 85. Agora que a taxa de câmbio está a R$ 5,47, o mesmo saco de 50 quilos de arroz custando os mesmos US$ 20 custa R$ 109, então isso também impacta no preço final”.

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Inscreva-se na TV 247 e assista à fala de Juliane Furno na íntegra:

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