'Eleições de 2026 serão decisivas para reforma agrária e democracia', diz liderança do MST
MST pretende ampliar diálogo com a sociedade e enfrentar bancada ruralista
247 - A dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e mestre em agroecologia e agricultura sustentável, Ceres Hadich, afirmou que as eleições de 2026 terão papel central na disputa política sobre o futuro da reforma agrária e da democracia no Brasil. A avaliação foi feita em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, na qual ela também analisou os investimentos anunciados pelo governo federal para o setor.
Segundo Hadich, a disputa eleitoral deve ser entendida como parte de um processo mais amplo de mobilização social e de construção de apoio popular às pautas do campo.
“A gente entende que essa batalha eleitoral, para além de trazer esse debate e os conflitos e os interesses de classe, ela traz também uma possibilidade de aprofundar esse diálogo sobre democracia, sobre soberania e sobre a reforma agrária com o povo brasileiro”, afirmou.
Ela destacou que o MST pretende atuar tanto no campo institucional quanto na sociedade para enfrentar o poder político do agronegócio e ampliar a representatividade de pautas ligadas à agricultura familiar.
“A gente sempre entendeu essa posição de classe, essa posição de enfrentamento político e a nossa leitura é de que essa batalha também é importante se dar não só dentro do parlamento, mas junto da sociedade”, salientou.
Durante a entrevista, Hadich criticou a atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária, apontando que o grupo representa interesses econômicos contrários à reforma agrária.
“Representa os interesses da classe dominante, os interesses do latifúndio e do agronegócio e, portanto, tem uma questão ideológica muito forte de contraponto a tudo que diz respeito à reforma agrária”, argumentou.
Segundo ela, a estratégia do movimento passa por ampliar o debate público e fortalecer alianças sociais para alterar a correlação de forças políticas no país.
“Historicamente, a sociedade brasileira foi a nossa grande aliada nas nossas lutas e aí, sim, deslocar essa correlação de forças, alcançando um apoio maior da sociedade”, disse.
Relação com o governo Lula e autonomia do MST
Ceres Hadich também afirmou que a relação com Lula é histórica e baseada em autonomia política.
“A nossa relação com o presidente Lula é uma relação muito madura… são mais de quarenta anos de relação que o nosso presidente tem com o MST”
Ela explicou que o movimento mantém pressão social mesmo em governos considerados aliados.
“A gente acredita que é a nossa pressão e a nossa capacidade de fazer luta organizada, de apresentar a nossa pauta para o governo, que é o que traz, de fato, respostas e conquistas para a nossa base”, afirma
Sobre o pacote anunciado pelo governo para assentamentos e regularização de famílias, a dirigente reconheceu avanços, mas afirmou que os recursos ainda estão abaixo da demanda existente.
“Esse anúncio é um valor importante, mas infelizmente ainda fica muito aquém das necessidades reais”, disse ela, ressaltando que muitas famílias incluídas nas metas serão regularizadas em assentamentos já existentes. “A grande maioria dessas famílias vão ser regularizadas em áreas de assentamento que já existem”, completou.
A dirigente destacou a importância de programas sociais e o crédito habitacional rural, mas afirmou que o volume de recursos ainda é insuficiente diante do universo de famílias assentadas.
“Quando a gente fala em dez mil para um universo de mais de quinhentas mil famílias assentadas no Brasil, a gente vê que está muito aquém daquilo que é a necessidade”, afirmou;.
Perspectivas para 2026
A dirigente reforçou que o movimento seguirá mobilizado para ampliar políticas públicas no campo e fortalecer a democracia brasileira, tendo as eleições como momento estratégico.
“Estamos animados. Em 2026 vamos seguir fazendo a luta pela reforma agrária, mas também seguir aprofundando a luta pela democracia no nosso país”, destacou ela, afirmando que o futuro da reforma agrária dependerá da combinação entre mobilização social, disputa política e resultados eleitorais nos próximos anos.


