"Heleno entrou arrogante e saiu humilhado da CPI", diz Fernando Horta
Historiador afirma que os militares estão em guerra permanente contra os civis e precisam descer do pedestal
247 – Na terça-feira passada, o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, protagonizou um momento tenso na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas. Suas declarações durante o depoimento, amplamente acompanhadas pela imprensa, geraram uma série de reações negativas e, agora, o general pode enfrentar a perspectiva de ser indiciado no relatório final da comissão.
O historiador Fernando Horta, durante uma entrevista à TV 247, fez duras críticas ao comportamento de Heleno durante a CPI. Ele afirmou que o general entrou na comissão de maneira arrogante e saiu humilhado, perdendo a calma várias vezes durante seu depoimento. "Heleno merece ser trancado numa prisão e com a chave sendo jogada fora", declarou Horta, evidenciando sua insatisfação com a postura do ex-ministro.
Uma das declarações mais polêmicas de Heleno durante a CPI foi relacionada ao tenente-coronel Mauro Cid, que atuava como ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro na época. O general alegou que Cid não estava envolvido em reuniões com o Alto Comando das Forças Armadas, afirmando que "não existe essa figura do ajudante de ordens sentar numa reunião dos comandantes de Força e participar da reunião. Isso é fantasia". No entanto, evidências fotográficas antigas prontamente contradisseram essa afirmação, mostrando Heleno e Cid ao lado de Bolsonaro durante reuniões com os líderes militares.
Para Horta, as declarações de Heleno durante a CPI demonstram um antagonismo persistente em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que "o antagonismo ao presidente Lula continua no mesmo ponto do período pré-eleitoral". Ele também enfatizou que os militares precisam ser retirados do pedestal em que se colocaram, argumentando que o comportamento do general na CPI ilustrou a necessidade de uma análise crítica das ações e declarações de autoridades militares.
Membros do governo, incluindo o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, alegaram que o presidente Jair Bolsonaro poderá enfrentar acusações no relatório conclusivo elaborado pela senadora Eliziane Gama. Isso levanta questões sobre as implicações políticas e legais do depoimento do general Heleno e o impacto que isso poderá ter nas investigações em curso na CPMI dos Atos Golpistas. Assista:
