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Herson Capri diz que deve a Lula “o maior aplauso” de sua vida

Ator relembra formação de esquerda, perseguição ao pai comunista, trajetória no teatro e críticas à extrema direita

(Herson Capri) (Foto: Giuliana Miranda)
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247 - Em entrevista ao programa Conversas com Hildegard Angel, na TV 247, o ator Herson Capri abriu sua memória afetiva, política e artística em uma conversa marcada por lembranças da ditadura, defesa da cultura, críticas à desigualdade social e elogios ao presidente Lula.

Capri contou que sua formação política nasceu em casa. Filho de Jair Freire, militante comunista perseguido e preso diversas vezes, o ator disse ter crescido sob a influência de uma visão humanista e solidária. “Minha formação sempre foi de esquerda”, afirmou.

Um dos momentos mais fortes da entrevista foi a lembrança de uma peça encenada em 1981, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri. Capri improvisou uma fala em referência a Lula, então líder metalúrgico: “Teve um barbudinho lá que tentou, tentou, tentou e tomou três anos e meio de cadeia”. A reação da plateia foi imediata. “Foi o maior aplauso da minha vida. Eu devo ao Lula”, declarou.

O ator também relembrou a perseguição sofrida por seu pai, que, segundo ele, repetia diante da polícia: “Sou comunista, considero que o comunismo seria muito bom para o Brasil, sou membro do Partido Comunista e nada mais tenho a dizer”. Capri contou que, embora o pai não tenha sido torturado fisicamente, passou por violência psicológica, incluindo isolamento e o som de torturas ao fundo.

Na entrevista, Capri associou sua indignação política à desigualdade social brasileira. Para ele, o país precisa enfrentar a concentração de renda e garantir dignidade aos mais pobres. “Quanto mais ricos são os ricos, mais pobres serão os pobres”, disse. “O Brasil merece dignidade. O brasileiro comum, o brasileiro pobre merece dignidade”.

O ator também criticou duramente a extrema direita, que classificou como “perigosíssima”, e disse ver nela uma cultura de ódio, misoginia, racismo e defesa de interesses econômicos das elites. “A ideologia é essa: a ideologia do lucro. Deus é lucro”, afirmou.

Capri falou ainda sobre teatro, televisão e cultura. Ele defendeu a Lei Rouanet, criticando sua demonização pela extrema direita, e afirmou que os incentivos culturais sustentam empregos, temporadas e produções que dificilmente seriam viáveis apenas com bilheteria.

Ao tratar de sua carreira, lembrou os 36 anos de trabalho na TV Globo, a paixão pelo teatro e o desejo de voltar aos palcos ao lado do filho, Lucas Capri. Também comentou o sucesso recente do teatro após a pandemia, dizendo que o público voltou “ávido” por encontros presenciais e por bons atores em cena.

A conversa terminou em tom de convocação política e cultural. Capri defendeu que o público leia mais mídias alternativas e estude mais sobre o Brasil. “Ninguém larga a mão de ninguém”, disse, antes de encerrar a entrevista ao lado de Hildegard.