Jeferson Miola: não estamos diante de um governo, mas de um esquema criminoso

Por isso, o jornalista destacou que a vitória do ex-presidente Lula (PT) em primeiro turno “não é um capricho, mas um imperativo histórico”

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(Foto: Reprodução | ABR)


247 - O jornalista Jeferson Miola, entrevista à TV 247, criticou o ex-presidente golpista Michel Temer (MDB), que defendeu a realização de um “grande pacto nacional” pelo próximo presidente do Brasil, mirando o ex-presidente Lula (PT) e prevendo anistias à Jair Bolsonaro (PL).

“Em primeiro lugar, temos que identificar esse ator que é um usurpador do poder”, disse o jornalista, referindo-se ao golpe de 2016 contra Dilma Rousseff (PT). “Ele é parte do problema, não é parte da solução. Michel Temer não tem absolutamente nada a oferecer para a saída do país desse precipício”, destacou. 

“Segundo, que essa iniciativa parte de um reconhecimento fundamental: nós não estamos diante de um governo, mas estamos diante de um esquema criminoso e tem o ator principal desse governo que o lidera que é um criminoso”, afirmou Miola sobre o governo de Bolsonaro. 

“Só propõe anistia ou indulta a quem comete algum crime. Não estamos tratando de crimes comuns, mas de crimes contra a humanidade. Um catálogo de ilícitos penais que pertencem a uma legislação internacional que deriva das decisões e protocolos e tratados internacionais concebidos no interior da ONU a partir do fim do nazismo”, continuou.

Segundo ele, “esse comportamento (de Temer) traduz o comportamento clássico das elites e classes dominantes brasileiras de sempre apagar ou botar uma borracha sobre o passado”. “Passamos a nossa ditadura e parte do que nós vivemos hoje decorre exatamente da anistia concedida aos militares, que decorre de um procedimento autorizativo”, argumentou. 

“Se a gente não procede em relação a esses crimes, sobretudo crimes de terror de Estado, crimes que atentam contra a humanidade e a democracia, e se a gente não adota as medidas que são necessárias e punir severamente esses que perpetram esse crimes eles voltam a repetir os crimes. É o que estamos vivenciando hoje em nosso país”, reforçou.

Desfascistização do país

De acordo com Miola, “se for para propor algum pacto nacional, seria o de desfascistização do país”, pois “temos cerca de 30% da população, quase o equivalente a população inteira da Argentina, que endossa esses valores, práticas e posturas fascistas criminosas”. 

“Precisamos fazer um esforço que transcende quatro anos de governo. Nossas instituições estão dominadas e infestadas por elementos dessa corrente de pensamento que é uma variante do liberalismo. Na crise do capitalismo o fascismo é uma solução que se apresenta pelas classes dominantes”, defendeu.

Lula, Ciro, Bolsonaro e as eleições

Mostrando otimista em relação à derrota de Bolsonaro no dia 2 de outubro, data em que ocorre o primeiro turno da eleição presidencial, Miola disse que “não tem para ninguém nessa eleição” e que “a única forma de impedir a vitória do Lula é ou eliminando ele fisicamente, comentendo um assassinato, ou promovendo alguma barbaridade jurídica ou institutcional”. 

Para ele, “não existe possibilidade do Lula perder essa eleição, seja em primeiro turno ou em segundo turno”. “Acho que as possibilidade da vitória do Lula em primeiro turno são tangíveis e super realistas. O que não significa dizer se na eventualidade do Lula não conseguir alcançar os 50% mais um no primeiro turno que nós vamos tratar disso como se fosse uma derrota”, argumentou. 

O jornalista ainda destacou que “vencer em primeiro turno não é um capricho, mas um imperativo histórico, porque isso diminui enormemente as possibilidades dos militares do Bolsonaro fazerem o que eles querem fazer, que é tumultuar e avacalhar as eleições”. 

E também criticou o candidato Ciro Gomes (PDT), que está sabotando a campanha do Lula, tentando dificultar a vitória do petista no primeiro turno. “O Ciro é um instrumento disso. A campanha do Ciro, bolsonorizada, é um instrumento bolsonarista e dos militares para produzir esse ambiente de segundo turno e manter esse contexto de violência, de insegurança e incertezas que estamos vivendo”, afirmou.

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