"Milei só iria atrapalhar os BRICS", diz Paulo Nogueira Batista Júnior

Economista afirma que o Brasil não deve lamentar a provável saída da Argentina do bloco neste momento

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | REUTERS/Agustin Marcarian)


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247 – O economista Paulo Nogueira Batista Júnior concedeu uma entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, analisando a recente eleição de Javier Milei como presidente da Argentina e os possíveis impactos dessa escolha para o país e a região. A conversa abordou ainda questões econômicas e políticas relevantes para o Brasil.

Em um dia quente após a eleição de Milei, que propôs um plano de guerra para enfrentar a crise econômica argentina, Nogueira Batista destacou a surpreendente margem de vitória do novo presidente e a importância de compreender as consequências políticas e econômicas para o Brasil. Uma delas diz respeito ao futuro dos BRICS, que convidaram a Argentina para ser um dos novos membros. "É uma tolice a Argentina não aceitar o convite para entrar nos BRICS. Mas tomara que não entrem. Milei só iria atrapalhar. Eles vão se abraçar à causa indefensável de Israel", disse ele.

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Questionado sobre a derrota do peronismo de Sérgio Massa, Nogueira Batista observou a dificuldade de eleger um ministro da Fazenda em um contexto de inflação elevada. Ele expressou sua surpresa pela escolha do governo anterior em focar na economia, dada a situação desfavorável, mas ressaltou que, mesmo assim, a Argentina enfrenta desafios econômicos estruturais.

Ao discutir a incapacidade histórica da Argentina de estabilizar sua moeda e controlar a inflação, o economista apontou fatores políticos e polarização ideológica como elementos determinantes. Ele também destacou momentos em que a Argentina seguiu políticas neoliberais desastrosas, influenciadas pelo Consenso de Washington. Quanto à proposta de dolarização de Milei, Nogueira Batista expressou ceticismo, enfatizando a dificuldade de implementação diante de uma possível hiperinflação. Ele especulou que o novo governo poderia primeiro buscar um ajuste fiscal antes de abordar questões como a dolarização.

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A entrevista abordou também a política externa argentina, incluindo a postura em relação à crise na Faixa de Gaza e as negociações comerciais, como o Mercosul-União Europeia. Nogueira Batista expressou preocupações sobre a postura de Milei em relação ao Mercosul, o que poderia afetar a cadeia produtiva automotiva entre Brasil e Argentina. "Minha sensação é de que a Argentina não sairá do Mercosul. Há uma integração muito forte entre cadeias produtivas do Brasil e da Argentina, como no setor automotivo", apontou.

O economista também elogiou a decisão do presidente Lula de não ir à posse de Milei. "O Brasil vai continuar se entendendo com a Argentina, qualquer que seja o governo. A nota do presidente Lula está perfeita, assim como é correta a decisão de não ir à posse", afirmou. Assista:

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