"Nunca mais participo de cancelamento nenhum", diz Aline Dutra
Influenciadora relata impacto do cancelamento após prisão, descreve depressão e afirma que mudou sua posição sobre linchamentos virtuais
247 - A influenciadora Aline Dutra, conhecida nas redes sociais como Esquerdogata, afirmou que a repercussão de sua prisão em Ribeirão Preto, em outubro do ano passado, desencadeou um processo de sofrimento psíquico que a levou a rever completamente sua posição sobre a cultura do cancelamento. Ao falar sobre o tema, ela associou a exposição pública não apenas ao desgaste de imagem, mas a um abalo profundo em sua vida pessoal.
Em entrevista ao jornalista Joaquim de Carvalho, da TV 247, Aline disse que, depois da reação ao caso, passou a ver o cancelamento como uma prática capaz de produzir consequências extremas. “Eu nunca mais participo de cancelamento nenhum. Isso pode levar uma pessoa ao suicídio. Pode, sim. A vontade era de morrer. Nunca mais participarei de cancelamento, nem da direita nem da esquerda”, afirmou.
Reação à repercussão
Ao relembrar os primeiros momentos após a crise, Aline disse que se surpreendeu com a dimensão que o caso alcançou. Segundo ela, a circulação do episódio em veículos de alcance nacional e sua repercussão política ampliaram a pressão de forma repentina. “Fiquei muito chocada com a dimensão que aquilo tomou. Eu não tinha noção do meu alcance”, declarou.
Ela contou que, diante da intensidade da exposição, interrompeu qualquer contato com redes sociais, notícias e internet. “Quando vi tudo aquilo, desliguei o telefone. Saí do Instagram, parei de acompanhar notícias e me afastei completamente da internet. Só consegui voltar a lidar com isso dois meses depois”, disse.
Na entrevista, Aline concentrou sua fala menos nos detalhes da acusação e mais no impacto provocado pelo julgamento público. Em sua avaliação, o caso extrapolou o episódio que motivou a prisão e passou a produzir um segundo dano, desta vez ligado à destruição de reputação e à pressão emocional.
“A vontade era de morrer”
Ao descrever o período seguinte, Aline relatou um quadro de depressão profunda. “Nas duas primeiras semanas, fiquei em casa em depressão profunda, muito triste e envergonhada. As pessoas não têm noção do peso de um cancelamento”, afirmou.
Ela também disse que o uso excessivo de medicamentos e a incapacidade de manter uma rotina básica acenderam o alerta entre familiares e pessoas próximas. “Minha família, meu advogado e meu amigo me disseram que eu estava correndo risco de vida. Se continuasse tomando muitos remédios, sem me alimentar e sem sair da cama, eu poderia ter uma overdose”, relatou.
Em um dos trechos mais fortes da entrevista, a influenciadora descreveu o estado emocional em que se encontrava. “Eu estava em um processo de autodestruição. Pensava: se eu morrer, o que ainda resta? Minha carreira acabou, as pessoas acham que sou racista, meus filhos têm vergonha de mim”, disse.
A formulação expõe que, em sua leitura, o cancelamento teve efeitos concretos e imediatos sobre sua saúde mental. Mais do que uma perda de apoio político ou de espaço público, ela descreveu uma ruptura que atingiu sua percepção sobre si mesma, seu trabalho e sua permanência na vida pública.
Revisão sobre o cancelamento
Ao longo da entrevista, Aline transformou essa experiência em uma posição mais ampla sobre a lógica do cancelamento nas redes. Sua crítica não se limitou aos ataques que recebeu, mas se estendeu ao próprio mecanismo de condenação pública.
“Nunca mais participo de cancelamento nenhum, nem da direita nem da esquerda”, afirmou. A frase resume a mudança que ela diz ter feito depois do episódio: a recusa em aderir a campanhas de destruição pública de reputação, independentemente do campo político em que ocorram.
Esse ponto se tornou central em sua fala porque desloca o debate do caso individual para uma crítica mais ampla ao ambiente digital e político. Em vez de falar apenas em defesa própria, Aline passou a tratar o cancelamento como uma prática que pode empurrar pessoas para o colapso emocional.
Internação e reorganização da vida
Segundo a influenciadora, a decisão de buscar tratamento ocorreu quando pessoas próximas avaliaram que sua situação havia se agravado. Ela contou que foi internada e permaneceu dois meses em uma clínica. “Nesse momento, eu me internei e fiquei dois meses internada”, afirmou.
Durante esse período, ela disse que ficou sem acesso ao celular e sem contato direto com os ataques. “Fiquei sem o celular e sem acesso aos ataques. Só estou sabendo agora do que foi dito, e nem vi os vídeos”, declarou.
Aline também associou a internação a uma reorganização de sua rotina, com regulação da medicação e interrupção do consumo de álcool. “Adotei outro estilo de vida, regulei a medicação e parei de beber”, disse.
Ao romper o silêncio sobre o episódio, Aline apresentou o cancelamento como uma experiência concreta de desestruturação pessoal. “Estou de pé e pronta para continuar. Desistir não é uma opção”, afirmou.