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'Restringir partidarização da justiça é fundamental, mas não com propostas de extrema direita', diz Valter Pomar

Dirigente do PT e historiador criticou em entrevista à TV 247 a ofensiva do Senado sobre o STF. Segundo ele, as propostas atuais visam apenas proteger interesses da direita

Valter Pomar (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

247 - O dirigente do PT Valter Pomar, em entrevista à TV 247, criticou a ofensiva da direita sobre o papel do judiciário, apesar de reconhecer que o Supremo Tribunal Federal (STF) vem em muitas ocasiões "legislando" sobre questões que estão fora de sua esfera. 

Uma das principais questões levantadas por Pomar foi a legítima demanda da esquerda de restringir a partidarização da justiça e a politização inadequada do judiciário. "É comum ver o judiciário legislar, muitas vezes trazendo para si decisões que deveriam ser discutidas e decididas pelo povo", disse. 

No entanto, Valter Pomar também aponta para a demanda da direita e da extrema direita, que busca impedir que o judiciário tome decisões que interpretem a constituição de maneira contrária aos seus interesses. Essa postura, segundo Pomar, revela uma "insaciabilidade por parte desses grupos, que, mesmo após um cenário onde o judiciário apoiou suas causas, buscam agora restringir sua autonomia".

O ponto de virada, de acordo com a análise de Pomar, ocorreu durante o governo Bolsonaro. Antes disso, havia uma concordância tácita entre a direita e o judiciário, mas com o tempo, à medida que divergências surgiram com a tomada de poder da extrema direita, começaram os embates. 

Recentemente, o Senado apresentou movimentações no sentido de reduzir algumas possibilidades e atribuições do Supremo Tribunal Federal (STF), como a decisão monocrática dos ministros. Pomar destaca que essa iniciativa veio com o carimbo da direita, expressando descontentamento em relação a decisões recentes do STF, como a decisão sobre o Marco Temporal, por exemplo. Nesses casos, o judiciário, segundo Pomar, tem interpretado adequadamente a constituição, enquanto uma maioria no legislativo busca atropelar essas interpretações.