“Sem projeto popular, o Brasil seguirá refém do capital financeiro”, alerta João Pedro Stedile
Líder do MST afirma que bancos e capital fictício dominam a economia e defende reindustrialização e mudanças estruturais
247 - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, afirmou que o Brasil continuará subordinado aos interesses do capital financeiro se não construir um projeto popular de desenvolvimento. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Brasil Popular, exibido pela TV 247 em parceria com o Brasil de Fato e o Projeto Brasil Popular..
“Sem projeto popular, o Brasil seguirá refém do capital financeiro”, disse Stedile ao analisar o cenário econômico e político nacional em 2026. Segundo o dirigente, o capital financeiro é hoje o principal agente de poder na economia global e brasileira.
“Hoje quem domina a economia no mundo e aqui no Brasil são os bancos. É o capital financeiro, é aquele capital fictício que não se transforma em investimentos produtivos, que vive de renda, de juros, de aluguel, de royalties, de especulação”, disse.
Para Stedile, esse modelo aprofunda desigualdades e impede um ciclo virtuoso de desenvolvimento produtivo. Ele argumenta que a crise atual não é apenas econômica, mas também política, ambiental e de valores humanitários.
“Agora nós temos uma crise ainda mais grave, porque é uma crise não só econômica, mas política, do Estado burguês, uma crise ambiental gravíssima, que coloca em risco a vida no planeta, e uma crise de valores humanitários”, enfatizou.
Reindustrialização com foco social
Como alternativa, o líder do MST defende uma reindustrialização voltada às necessidades populares e à geração de empregos de qualidade.
“Nós temos que acenar com programas de reindustrialização que gerem empregos com uma renda maior. Não basta oferecer o trabalho precário”, enfatizou Stedile, que criticou o direcionamento recente de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Oitenta por cento dos bilhões que o BNDES aplicou em projetos industriais foram em usinas de etanol e milho. Isso é vergonhoso”, disse.
Na avaliação de Stedile, os investimentos deveriam priorizar setores ligados à produção de alimentos, moradia, transporte ferroviário e bens essenciais para a população.
Projeto estrutural para o país
O dirigente defendeu ainda mudanças estruturais na cidade, no campo e nos serviços públicos.
“A reforma agrária popular é implantar agroindústria, é produzir alimentos saudáveis com a agroecologia, é mudar a matriz energética do campo”, defendeu.
Para Stedile, enfrentar a hegemonia do capital financeiro exige combinar disputa eleitoral com construção programática de longo prazo. “Nós temos que levantar com o povão e com a sociedade os temas que dizem respeito de um programa de mudanças estruturais da economia e da sociedade”, completou.


