Ex-presidente da Fifa pede que torcedores evitem viajar aos EUA na Copa
Joseph Blatter cita riscos à segurança e críticas ao cenário político americano às vésperas do Mundial de 2026, que será disputado em três países
247 - O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter aconselhou, nesta segunda-feira, os torcedores a não viajarem para os Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026, marcada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho. Segundo o dirigente suíço, questões relacionadas à segurança e ao ambiente político interno do país levantam dúvidas sobre a realização do torneio em solo americano. As informações são da agência AFP.
A declaração foi publicada por Blatter em sua conta na rede social X e repercutiu na imprensa europeia. “Aos torcedores, um conselho: evitem os Estados Unidos! Acho que Mark Pieth tem razão ao questionar esta Copa do Mundo”, escreveu o ex-dirigente, ao comentar críticas feitas por um antigo colaborador da Fifa.
Blatter se referiu a uma entrevista concedida por Mark Pieth ao jornal suíço Tagesanzeiger. Advogado renomado e especialista em casos de corrupção, Pieth foi contratado por Blatter entre 2011 e 2014 para elaborar um plano de combate à corrupção dentro da Fifa, em um período marcado por fortes questionamentos à entidade.
Na entrevista, Pieth apontou preocupações com o atual contexto político e institucional dos Estados Unidos. “O que estamos vivendo no plano interno — a marginalização dos opositores políticos, os abusos por parte dos serviços de imigração, etc., dificilmente incentiva os torcedores a irem para lá”, afirmou o advogado. Ele ainda recomendou cautela aos fãs de futebol: “É melhor assistir pela TV. Ao chegarem, os torcedores deverão esperar que, se não se comportarem adequadamente com as autoridades, serão mandados de volta para casa imediatamente. Se tiverem sorte”.
Aos 89 anos, Blatter mantém uma postura crítica em relação ao atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, de quem foi antecessor até renunciar em 2015, em meio a uma série de escândalos envolvendo a cúpula do futebol mundial. Naquele ano, Blatter foi acusado de fraude ao lado do então presidente da Uefa, Michel Platini, mas ambos acabaram definitivamente absolvidos pela Justiça da Suíça em 2025.
As declarações ocorrem em um contexto de tensões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos e países europeus, intensificadas pelo desejo do presidente americano, Donald Trump, de anexar a Groenlândia e por ameaças de aumento de tarifas contra nações europeias que se opõem às suas posições. Diante desse cenário, começaram a surgir na Europa apelos por um eventual boicote ou até pelo cancelamento da Copa do Mundo de 2026, que será sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.
Apesar das manifestações isoladas, dirigentes do futebol europeu têm rechaçado a possibilidade de boicote. O presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, descartou a medida em entrevista ao jornal Ouest-France, publicada no domingo. “Não há qualquer intenção por parte da Federação Francesa de Futebol de boicotar a Copa do Mundo nos Estados Unidos”, declarou o dirigente.