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Ingressos acessíveis disparam e geram revolta na Copa de 2026

Fim da gratuidade e redução de assentos elevam custo para PCDs em até 4.900% nos EUA e colocam em xeque discurso de inclusão da Fifa

Ingressos acessíveis disparam e geram revolta na Copa de 2026 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

247 - Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, torcedores Pessoas Com Deficiência (PCDs) encontravam condições significativamente mais acessíveis para acompanhar as partidas. Na fase de grupos, o ingresso destinado a esse público custava R$ 57, e o acompanhante tinha entrada gratuita. Para a edição de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, o cenário mudou drasticamente e passou a gerar indignação, especialmente entre cadeirantes.

De acordo com informações publicadas pelo jornal britânico The Sun, reprecutidas pelo jornal O Globo, o custo mínimo para um torcedor com deficiência assistir a um jogo na próxima Copa será de R$ 2.860 por dois ingressos. Isso ocorre porque não há mais previsão de gratuidade para acompanhantes e porque a categoria mais barata de entradas não oferece os chamados assentos de acessibilidade. Na prática, o aumento chega a cerca de 4.900% em relação ao que era cobrado no Mundial do Catar.

Embora o ingresso mais barato para o público em geral custe em torno de R$ 325, esses setores não contam com estrutura adequada para pessoas com mobilidade reduzida. Assim, torcedores com deficiência são obrigados a adquirir assentos especiais, cujo valor mínimo gira em torno de R$ 1.430, além de pagar o mesmo montante para garantir a presença de um acompanhante.

A situação causa ainda mais revolta diante das declarações da Fifa, que anunciou que a Copa do Mundo de 2026 estabeleceria “novos padrões de diversidade e inclusão”. Na prática, além do aumento expressivo nos preços, a entidade também reduziu em cerca de um terço o número de assentos acessíveis, chegando, em alguns jogos, a uma média de apenas 18 lugares destinados a torcedores cadeirantes.

Entre os entrevistados pelo The Sun está Gregg Baxter, de 24 anos, atleta de futebol em cadeira de rodas motorizada da seleção da Inglaterra. Portador de paralisia cerebral, ele planejava acompanhar a estreia da seleção inglesa contra a Croácia, em Dallas, mas afirmou que os valores cobrados inviabilizaram o plano.

Não tenho como pagar esses preços — afirmou Baxter. Ele também demonstrou preocupação com o sistema de revenda de ingressos adotado para o torneio. — O que impede uma pessoa sem deficiência de comprar um ingresso e revendê-lo por um preço mais alto para uma pessoa com deficiência? É um absurdo.

A crítica aos valores também partiu de dirigentes ligados à acessibilidade no futebol. Stephen Reside, responsável pela área de acessibilidade na Federação Escocesa de Futebol, classificou a política de preços como discriminatória. Para ele, a estratégia adotada para o Mundial de 2026 representa “uma escolha deliberada punir os torcedores com deficiência e extrair o máximo de dinheiro possível de nós”.

Com o aumento dos custos, a redução de assentos acessíveis e o fim de benefícios antes garantidos, cresce a pressão sobre a Fifa e os organizadores da Copa de 2026. O debate sobre inclusão, diversidade e acesso igualitário aos grandes eventos esportivos ganha força às vésperas do torneio, colocando em xeque o compromisso público assumido pela entidade máxima do futebol mundial.