1962, uma Copa muito curiosa

Árbitros correndo atraz de cães, jornalistas brasileiros tomados de superstição e um jogo apelidado de "Batalha de Santiago" são alguns dos acontecimentos marcantes

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1962, uma Copa muito curiosa (Foto: ALBERTO FERREIRA/CPDOC JB)


Renata Lima _247 - Era a sétima Copa do Mundo da Fifa e foi realizada no Chile. Nela o Brasil conquistou o segundo título consecutivo no mundial mesmo sem Pelé, que se machucou no segundo jogo. A Copa de 1962 foi a consagração do artilheiro Garrincha. Na final contra a Tchecoslováquia, ele jogou com 38 graus de febre e levou o Brasil ao título pelo placar 3 x 1.

Na semifinal, o Brasil aplicou a maior goleada deste Mundial, contra o país sede, o Chile, pelo placar de 4 x 2. O curioso é que nesse dia, com medo de que alguma substância pudesse ser colocada na comida servida no hotel, os jogadores da Seleção passou o dia todo comendo apenas lanches antes da partida.

Antes da semifinal, o Brasil enfrentou a Inglaterra num jogo conturbado. Cães invadiram o gramado mais de uma vez fazendo com que o árbito interrompesse a partida e corresse atrás dos animais. O primeiro cachorro driblou Mané Garrincha e só foi capturado quando o inglês Greaves ficou postado de quatro no chão e se aproximou devagar para agarrar o cão. Mesmo com toda a confusão, a disputa terminou em 3 x 1 para a nossa Seleção.

Ao todo, o Brasil disputou seis jogos e venceu cinco. O empate, um zero a zero, foi na primeira fase, justamente contra a Tchecoslováquia, equipe que a Seleção derrotaria na partida final. Nesse empate sem gols, ainda, perdemos Pelé machucado.

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Superstição brasileira

O chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, passou a trajar na Copa do Chile o mesmo terno marrom que ele havia usado como amuleto durante os jogos na Suécia, durante a Copa de 1958, primeira em que o Brasil foi campeão.

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O ritual pegou e até a imprensa brasileira, depois da vitória do primeiro jogo no Chile, foi obrigada a trabalhar com a roupa que usava no dia. Machado de Carvalho, o chamado general da vitória, ameaçou que quem mudasse uma peça de roupa que fosse seria impedido de fazer a cobertura da Seleção.

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Batalha de Santiago

Chile e Itália disputaram uma batalha em campo. Foi o jogo mais agressivo da história das Copas. A violência começou já aos seis minutos do primeiro tempo e, no restante do tempo, seguiu de forma tão intensa que a partida entrou para a história como a "Batalha de Santiago".

A pior briga teve chutes do italiano Tumburus contra um soco do chileno Leonel Sanchez. Para que ambos parassem, o árbitro inglês Kenneth Aston teve de apartar. Os dois foram expulsos e escoltados pela policia ao sair de campo. Por cinco minutos a partida foi interrompida e as duas equipes voltaram ao vestiário. O Chile venceu por 2 x 0.

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