33 anos da morte de Thomas Sankara: o caso de seu assasinato é encaminhado ao tribunal militar de Uagadugu, Burkina Faso

No aniversário de 33 anos da morte do líder revolucionário Thomas Sankara, o caso de seu assassinato finalmente será julgado

Thomas Sankara
Thomas Sankara (Foto: Reprodução/Twitter)
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247 - O caso do assassinato do “pai da revolução” de Burkina Faso, que estabeleceu o governo socialista no país no início anos 80 e foi assassinado durante um golpe de estado em 1987, finalmente será encaminhado ao tribunal militar de Uagadugu.

Como reportado na Radio Télévision Belge Francophone (RTBF), os advogados da família Sankara informaram que as partes envolvidas no assassinato já foram notificadas pelo tribunal militar. 

Organizações da sociedade civil reagiram positivamente à notícia: “Trinta e três anos é o suficiente para que a luz seja lançada. Que aqueles que cometeram este crime respondam por seus atos perante a justiça. Que o povo burquinense seja aliviado deste manto de ignomínia que eles têm usado desde 1987 diante dos olhos do mundo”, disse Ismael Kinda, líder de uma ONG que visa promover os ideais de Sankara.

Uma insurreição popular em 2014 fez com que o assunto da morte de Sankara em Burkina Faso perdesse o status de tabu. Em 2017, o presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu “desclassificar” todos os documentos sobre a morte de Sankara. 

Mas quem foi este líder revolucionário?

Quando se tornou presidente em 1983, Sankara implementou uma série de reformas sem precedentes. Inspirado por Fidel Castro e Jerry Rawlings, líder de Gana, Sankara atingiu fez com que Burkina Faso atingisse a auto-suficiência alimentar em 1987, após uma série de políticas de redistribuição de terras e programas de irrigação e fertilização. Além disso, programas de vacinação foram expandidos e projetos de moradia e infraestrutura foram implementados. 

Um dos objetivos mais importantes de Sankara foi a melhoria da situação das mulheres em Burkina Faso. A mutilação genital feminina, poligamia e casamentos forçados foram banidos, e seu governo contava com a presença de diversas mulheres.

Seu espírito revolucionário é bem ilustrado por essa passagem de um discurso de 1987: “Nossa revolução só terá valor se, olhando para trás, para os lados e diante de nós, pudermos dizer que os burquinenses são, graças a ela, um pouco mais felizes. Porque eles têm água boa para beber, alimentação suficiente, uma saúde excelente, educação, casas decentes, estão mais bem-vestidos, têm direito ao lazer, oportunidade de gozar de mais liberdade, mais democracia, mais dignidade. […] A revolução é a felicidade. Sem a felicidade não podemos falar de sucesso”.

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