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7 mil agricultores ameaçam fazer saques em Alagoas

Liderados por membros do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), foi apresentado a representantes do governador Vilela (PSDB) uma pauta de reivindicações. Caso não sejam atendidas, a ameaça é de que os saques serão realizados nos municípios de origem dos agricultores. O Estado de Alagoas sofre uma das piores secas dos últimos cinquenta anos.

7 mil agricultores ameaçam fazer saques em Alagoas

Alagoas247 - Mais de sete mil pequenos agricultores do Sertão e Agreste de Alagoas ameaçam fazer saques no comércio de suas cidades caso o governo do Estado não atenda de imediato uma série de exigências feitas pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC) para amenizar o impacto da seca.

Em reunião com o secretário de Articulação Social, Claudionor Araújo, e representantes de outras secretarias, lideranças do movimento apresentaram uma pauta de reivindicações de mais de 1,5 mil famílias que sofrem os efeitos da pior seca dos últimos 50 anos. Entre os pedidos está a distribuição emergencial de cestas básicas e a construção de cisternas. “As famílias precisam se alimentar. As cestas básicas as ajudaram no sustento daquela população”, argumenta o líder do MTC, Adriano Ferreira.

O governo prometeu analisar os pedidos, mas já adiantou que as cestas básicas não são distribuídas porque os agricultores estão incluídos no Programa Bolsa Estiagem, no valor de R$ 80.

Insatisfeitos com o resultado da reunião, o movimento avisa que as famílias poderão realizar saques caso não haja solução rápida para o problema. “Queremos evitar os saques nos municípios. Uma vez que as famílias estão sofrendo a pior seca dos últimos 30 anos e por esta razão é que queremos uma garantia de dignidade para as famílias dos trabalhadores e trabalhadoras para que não sejam levados a fazerem esta atitude”, avisou o líder Adriano Ferreira.

Segundo Ferreira, se em vinte dias as cestas básicas não forem distribuídas os saques vão acontecer. "São sete mil e quinhentas famílias passando sede, deixando de comer para comprar ração pra o animal. É uma situação muito séria", afirma.

O movimento pede ainda que a distribuição de benefícios seja feita por entidades e não pelas prefeituras. "Estão politizando a ajuda", observa o líder do MTC.

O governo do Estado prometeu fazer um requerimento dos movimentos e encaminhar à Brasília para que o processo possa ser analisado e agilizado. O secretário de Articulação Social, Claudionor Araújo, disse que estranhou a ameaça vinda do movimento, já que ontem, durante a reunião, os integrantes se mostraram satisfeitos com os encaminhamentos. "Reunimos todas as secretarias e órgãos de governo para ouvi-los, inclusive, os federais, como Conab e Banco do Nordeste. Vou procurar o movimento para conversar sobre a ameaça", disse.

Os agricultores que integram o movimento são de sete cidades afetadas pela seca - Dois Riachos, Cacimbinhas, Major Isidoro, Olivença, Igaci, Girau do Ponciano e Batalha.