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A moeda americana vai subir mais?

Alta do dólar é fonte de pressão inflacionária no curto prazo, mas deve ser limitada por aumento da Selic

A moeda americana vai subir mais?

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A alta do dólar é "fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos". A avaliação consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

"No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária [definição da taxa básica de juros, a Selic]". Neste ano, para conter a inflação, o Copom elevou a Selic em 0,25 ponto percentual em abril, e em 0,5 ponto percentual em maio e neste mês. Atualmente, a Selic está em 8,5% ao ano.

Para o Copom, a alta do dólar e as oscilações na taxa de câmbio nos últimos trimestres "ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos".

O comitê diz ainda que os movimentos no mercado de câmbio no país "refletem, em certa medida, perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros".

Na ata, o Copom também avalia que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das expectativas para variáveis fiscais, "não obstante iniciativas recentes apontarem o balanço do setor público em posição expansionista".

Para o Copom, "a geração de superávit primários [economia para o pagamento de juros da dívida] compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidifica a tendência de redução da razão dívida pública sobre Produto [Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país] e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo".

O Copom também reitera que um "risco significativo" para a inflação está "na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade".

"Não obstante sinais de moderação, o comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos", diz a ata.

"Nesse contexto, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias [aumento da taxa Selic] ora em curso", acrescenta a ata.

O Copom reiterou ainda que, em momentos como o atual, é necessário manter-se "especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária".

Fuga de capitais?
Saída de dólares supera entrada em US$ 1,1 bilhão nas duas semanas de julho

O saldo da entrada e saída de dólares do país, fluxo cambial, ficou negativo em US$ 1,105 bilhão, nas duas primeiras semanas do mês, de acordo com dados divulgados hoje (17) pelo Banco Central (BC).

De janeiro até a segunda semana de julho, o saldo do fluxo cambial ficou positivo em US$ 8,429 bilhões, com resultado negativo do segmento financeiro de US$ 8,845 bilhões e fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações) positivo em US$ 17,274 bilhões.

Em julho, até o dia 12, o resultado negativo veio do segmento financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações), US$ 1,520 bilhão. O fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações) registrou saldo positivo de US$ 415 milhões.

No último dia 3, o BC eliminou as restrições de prazos para que os exportadores financiem pagamentos antecipados. Antes, os exportadores que quisessem antecipar o recebimento das receitas com as vendas para o exterior poderiam pegar empréstimos de até cinco anos. O BC derrubou esse limite, permitindo que financiamentos de prazos mais longos sejam concedidos. A medida tem como objetivo aumentar a oferta de dólares no mercado, empurrando a cotação para baixo.

De acordo com os dados do BC, as operações de pagamento antecipado ficaram em US$ 1,595 bilhão, nas duas semanas de julho. As operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) chegaram a US$ 1,366 bilhão. No total, as exportações ficaram em US$ 7,173 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 6,758 bilhões, nas duas semanas de julho.

Além dessa medida para estimular a entrada de dólares no país e, com isso, ajudar a reduzir a cotação da moeda, o BC retirou o depósito compulsório sobre a posição vendida de câmbio. Com a medida, os bancos deixaram de recolher à autoridade monetária parte dos valores aplicados em apostas de que o dólar vai cair.

O BC também tem feito operações de swap cambial tradicional, equivalente à venda de dólares no mercado futuro, para tentar suavizar a alta do dólar.

Outra medida do governo foi zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os estrangeiros que aplicam em renda fixa no Brasil. Desde outubro de 2010, a alíquota em vigor era 6%. O governo também decidiu isentar de IOF a venda de moeda estrangeira no mercado futuro.

O mercado financeiro global enfrenta turbulências por causa da perspectiva de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, reduza os estímulos monetários para a maior economia do planeta. Se a ajuda diminuir, o volume de moeda norte-americana em circulação cai, aumentando o preço do dólar em todo o mundo.