A peneira, a cachoeira e a censura à imprensa em Goiás

Um libelo ao autoritarismo e a intolerância a nota emitida pelo governo de Marconi Perillo contra o jornal O Popular

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Um libelo ao autoritarismo e a intolerância a nota emitida pelo governo de Marconi Perillo (PSDB) contra a cobertura feita pelo jornal O Popular e pela TV Anhanguera dos acontecimentos que assolam Goiás.Ao invés de produzir a resposta às dúvidas da população, o gesto suscitou novas indagações. Afinal, o que o governo teme?

A nota do governo critica principalmente:

1 – A manchete e matéria da edição domingo, de O Popular: “Crise institucional abala Goiás”.

2 – A cobertura da manifestação Fora Marconi, pela TV Anhanguera no sábado (21/04).

No subtítulo da edição de domigo o jornal O Popular registra:” Envolvimento de agentes públicos com a máfia dos jogos põe em xeque a confiança da população”. Está claro que a Operação Monte Carlo da Polícia Federal revelou o envolvimento do crime organizado em todas as esferas de Poder em Goiás: Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público.

Está claríssimo que Goiás passa por uma grave crise institucional e não há como o governo se furtar a dar explicações, afinal, no rol dos citados nas escutas telefônicas foram demitidos a Chefe de Gabinete do Governador, o Procurador Geral do Estado, o presidente do Detran, o Procurador-Chefe Administrativo, sem falar no afastamento do Corregedor da Polícia Civil, e de suspeitas que pairam sobre um juiz do TRT, o Procurador Geral de Justiça, um membro do TJ-GO, quatro deputados federais, o 29 membros da polícia militar, dois delegados federais e um da Polícia Rodoviária Federal.

Sobre a cobertura da TV Anhanguera no evento Fora Marconi, vale ressaltar que no sábado anterior (15/04), o referido movimento havia levado 5 mil pessoas às praças Cívica e do Bandeirante, ampliando para 6 mil o número dos que foram à porta da Assembleia Legislativa protestar contra as denúncias de corrupção em Goiás. Ao contrário da Rede Globo, que noticiou outras passeatas contra corrupção país afora como atos pelo julgamento do mensalão, a TV Anhaguera foi fiel ao movimento que nasceu nas redes sociais, principalmente o Facebook, onde mais de 13 mil internautas postaram apoio ao movimento na hastag #ForaMarconi.

Intolerância

É preciso dizer com todas as letras que o governo atual é intolerante com a imprensa. Jornalistas ou qualquer um que se manifeste criticamente ao modo demo-tucano de governar sofrem ataques virulentos nas redes sociais. Renato Dias (Rádio Terra), Vassil Oliveira e Filemon Pereira (Rádio Luz da Vida), Frederico Jotabê e Marcos Roberto (Tribuna do Planalto) foram demitidos. A mínima independência, em qualquer veículo que seja, desperta a ira do governante, que tal qual a Rainha de Copas, de Alice no País das Maravilhas, grita: “Cortem a cabeça”. 

O desafio deste e de qualquer outro governo no século XXI não é perseguir jornalistas, questionar a linha editoral de jornais ou armar guerras nas redes sociais (twitter e facebook). Muito além da tola pretensão de controle total da informação, o que os governos devem perseguir é a transparência. O movimento dos jovens no #ForaMarconi guarda muitas semelhanças com o Movimento dos Indignados na Espanha. Do outro lado do Atlântico o desemprego foi o combustível para os jovens tomarem as praças. No Brasil, e em Goiás em particular, o que alimenta a revolta e o sentimento de que o crime organizado instalou-se de tal forma nas instituições que será necessário muita pressão para fazer a faxina ética.

Reforma

Há muito o Brasil vive uma dictomia. A pujança no setor econômico destoa dos métodos arcaicos da política. O ocaso Demóstenes Torres que de libelo do moralismo revelou-se despachante da contravenção no Senado, mostra a necessidade urgente de discutir o processo de financiamento das campanhas. A Polícia Federal já conseguiu provar que empresas ligadas ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fizeram doações às campanhas do governador Marconi Perillo (PSDB), do senador Demóstenes Torres e deputados Carlos Leréia (PSDB) e Sandes Júnior (PP). E as investigações também revelaram uma participação expressiva de indicados do esquema Cachoeira na máquina administrativa do Estado.

São estas dúvidas que pairam no ar que instigam o trabalho de jornalistas e a curiosidade o cidadão comum, seja ele internauta ou não. Não é a ressureição do malfado AI-5 que vai mudar a opinião da mídia e dos eleitores em Goiás. 

Link a matéria Crise Institucional abala Goiás.

Nota do governo ao O Popular.

Nota do governo a TV Anhanguera.

Nota da redação (OJC). 

Marcus Vinícius é jornalista e escreve no blog: www.marcusvinicius.blog.br

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