A tragédia de 2011 pode se repetir?

No ano passado, o Brasil viveu sua maior catstrofe natural, com quase mil mortes na serra do Rio de Janeiro; agora, Gleisi Hoffmann antecipa as frias para tratar das chuvas, Aloizio Mercadante garante que o sistema de preveno funciona, Srgio Cabral mantm secretrios de planto, enquanto Fernando Bezerra contestado pelos repasses da Integrao

A tragédia de 2011 pode se repetir?
A tragédia de 2011 pode se repetir? (Foto: JOSÉ PATRÍCIO/AGÊNCIA ESTADO)
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247 – No dia 5 de abril de 2010, chuvas com mais de 36 horas de duração e provocaram centenas de deslizamentos no Estado do Rio de Janeiro. O número de mortos chegou a quase mil e 10,8 mil pessoas perderam suas casas. No dia 5 de janeiro de 2012, Minas Gerais registra 66 cidades em emergência, cinco mortes, 9 mil desalojados e 404 desabrigados. No Rio, o governo fala em 20 mil pessoas que tiveram de deixar suas casas.

Apesar dos números alarmantes e das imagens de cidades inteiras embaixo d’água, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, disse nesta quarta-feira que o Brasil está mais preparado e o monitoramento sobre as chuvas está funcionando. “É a maior chuva em um século na região. Não é fácil enfrentar os desafios climáticos extremos. Para a população que está exposta em área de risco, precisamos de soluções mais estruturantes e que vão demorar mais tempo. Mas já estamos salvando muitas vidas”, disse. No mês passado, a presidente Dilma assinou uma Medida Provisória destinando R$ 6 milhões para o centro. A verba se soma aos milhões já gastos para reverter os estragos das enchentes.

Sérgio Cabral mandou secretários visitarem locais de risco antes dos possíveis novos deslizamentos. A cidade de Itaperuna se tornou base da Secretaria de Estado de Saúde para servir de apoio às cidades afetadas pela chuva no norte e noroeste fluminense. Kits calamidade e equipamentos médicos têm sido distribuídos às pressas para salvar a população.

Mas as ajudas de emergência são consideradas ínfimas perto da verba que poderia ter chegado, a tempo, aos estados mais necessidados. Das 56 cidades das regiões Sul e Sudeste eleitas como prioritárias para ações de preparação às enchentes pelo Ministério da Integração Nacional em dezembro, foram os estados do ministro Fernando Bezerra (Pernambuco) e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Bahia) que receberam as maiores verbas de prevenção em 2011. O Rio de Janeiro, primeiro da lista de alerta, com 12 municípios em situação crítica de risco, ficou em décimo lugar, com 2,3% dos recursos pagos no ano passado.

A verba de Prevenção e Preparação para Desastres destinada a Pernambuco, R$ 34,2 milhões, e à Bahia, R$ 32,2, supera o montante liberado em 12 meses para São Paulo, Santa Catarina, Ceará, Paraná, Paraíba e Alagoas, segundo a ONG Contas Abertas, com base no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

Fernando Bezerra escolheu Petrolina, cidade na qual exerceu três mandatos como prefeito, para liberar os principais recursos de Resposta a Desastres Naturais no interior do estado - R$ 8,9 milhões, contra R$ 1,2 milhão destinado, em Pernambuco, aos 14 municípios devastados pela enxurrada em 2010. Seu antecessor, Geddel Vieira Lima, utilizou a mesma lógica. Privilegiou não só seu Estado, a Bahia, como também deu preferência aos correligionários do PMDB. No período, em que o pemedebista ocupou o cargo, 80,8% dos recursos foram destinados a prefeituras baianas comandadas pelo partido.

Diante das revelações, nesta terça-feira, Gleisi Hoffmann interrompeu seu recesso em Foz do Iguaçu, no Paraná, para atender uma orientação da presidente. Dilma Rousseff, que também encurtou as férias, decretou uma intervenção branca na pasta de Bezerra. Quem comanda a partir de agora todas as liberações para enchentes será a Casa Civil.

Na chuva - e com medo de se queimar, o governo tenta manobras de emergência para reverter o esquema de influência praticado no Ministério da Integração, montado sob o nariz da nova administração, enquanto cidades inteiras são arrasadas. Um desafio de peso para as duas mulheres no poder.

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