Absolvido no caso Araceli, homem é encontrado decapitado e carbonizado no Espírito Santo
A ocorrência é tratada como homicídio e as circunstâncias da morte ainda estão sob investigação
247 - O corpo encontrado decapitado e carbonizado em um sítio em Meaípe, distrito de Guarapari, no litoral do Espírito Santo, foi identificado como sendo de Dante de Brito Michelini, de 76 anos. Ele havia sido um dos acusados e posteriormente absolvido no processo que investigou a morte da menina Araceli Cabrera Crespo, em 1973, um dos crimes mais emblemáticos de violência contra crianças no país.
As informações foram publicadas pelo g1. Segundo o relato, Dante era o proprietário do sítio e a descoberta ocorreu após uma testemunha estranhar sua ausência e encontrar sinais de destruição na propriedade, onde havia uma estrutura incendiada.
De acordo com a Polícia Civil, a ocorrência é tratada como homicídio e as circunstâncias da morte ainda estão sob investigação. Até a última atualização do caso, a cabeça não havia sido localizada. Apesar do reconhecimento feito por um familiar, a corporação informou que a identificação oficial só será confirmada após o resultado do exame de DNA.
Dante de Brito Michelini era membro de uma das famílias mais tradicionais e influentes do Espírito Santo. Seu avô, que tinha o mesmo nome, Dante Michelini, dá nome a uma das principais avenidas de Vitória, a capital do estado. Ao longo das décadas, a família evitou falar publicamente sobre o caso Araceli, recusando entrevistas em diversas ocasiões.
Em um raro registro, em 1993, o pai de Dante, Dante de Barros Michelini, comentou a ligação do nome da família com o crime. Na ocasião, declarou: "Nem eu, nem meu filho conhecíamos a Araceli, nem a mãe, nem o pai, nem coisa nenhuma. Fomos ligados ao caso após uma notícia de um jornal local".
O caso Araceli marcou a história criminal do país. A menina tinha 8 anos quando foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória, em 1973. Dante de Brito Michelini foi um dos três principais acusados pelo crime. Em 1980, ele chegou a ser condenado, mas a sentença foi posteriormente anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Após uma nova análise do processo, que se estendeu por cerca de cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas. O inquérito acabou arquivado e, até hoje, ninguém foi responsabilizado criminalmente pelo assassinato da criança, o que transformou o caso em símbolo de impunidade no Brasil.
Em memória de Araceli, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, por meio da Lei Federal 9.970/2000. Todos os anos, a data é marcada por atos, campanhas e debates sobre a proteção da infância e a necessidade de enfrentar a violência sexual contra menores.