ACM não consegue conter greve às vésperas da Copa
Prefeito lamentou que sindicalistas estejam "propagando a baderna, incentivando a violência" e impedindo a maioria dos servidores de trabalhar; "Eles, os sindicalistas, já tiveram tempo mais do que suficiente para o discurso político. O momento agora é de ter responsabilidade e não causar prejuízos para a população de Salvador"; reflexos da greve já podem vistos nos serviços de saúde, limpeza urbana, segurança, salva-vidas e gerência de trânsito
Bahia 247
Com muita dificuldade para passar pelo primeiro grande desafio de sua gestão, o prefeito ACM Neto (DEM) atribuiu à motivação político-partidária a atitude de sindicalistas que, segundo ele, querem impedir os servidores de trabalhar em meio à greve que já compromete até os serviços básicos em Salvador.
Em nota à imprensa, o democrata lamentou que alguns sindicalistas estejam "propagando a baderna, incentivando a violência" e impedindo a maioria dos servidores de cumprir com as suas obrigações para com a cidade e a Prefeitura.
"Eles, os sindicalistas, já tiveram tempo mais do que suficiente para o discurso político. O momento agora é de ter responsabilidade e não causar prejuízos para a população de Salvador".
ACM Neto disse ainda que a Prefeitura não vai tolerar intimidação e provocação de danos à cidade.
"Não há mais eco para isso. A Prefeitura apresentou uma proposta acima do seu limite e superior à do Estado, fazendo um grande esforço para repor a inflação e oferecer mais ainda. Essa é a última proposta".
O prefeito ressalta a compreensão da maioria dos servidores que está trabalhando e "entendendo o momento difícil das finanças municipais".
Matéria da Folha de São Paulo hoje retrata reflexos da greve nos serviços de saúde, limpeza urbana, segurança, salva-vidas e gerência de trânsito. Às vésperas da Copa das Confederações, há postos de saúde fechados e faltam garis, guardas municipais e fiscais de trânsito nas ruas.
A prefeitura diz não ter recursos para atender ao pedido de reajuste salarial de 15% para 28 mil servidores. Propõe 6,59%, em duas parcelas.
"Está quase tudo parado", afirma Helivaldo Alcântara, diretor do principal sindicato da categoria. O dirigente reconhece usar a proximidade do torneio da Fifa para pressionar a gestão -o primeiro jogo na Bahia será em uma semana.
Enquanto os grevistas dizem que a adesão à paralisação chega a 90%, a prefeitura diz não passar de 10%, mas admite interrupção quase total nos serviços de saúde, trânsito, segurança e até salva-vidas na orla.
As negociações não avançam há três dias. E ainda há chance de adesão de professores, que farão uma paralisação de 48 horas e podem entrar em greve, e rodoviários.
O sindicato dos servidores cita o aumento de 73% ao prefeito e seus secretários. Esse aumento foi concedido ainda no final da gestão passada. Graças à medida, ACM Neto recebe hoje R$ 18 mil.