Adolescente espancado pelo piloto Pedro Turra por chiclete morre aos 16 anos
Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira morreu na manhã deste sábado (7) na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Brasília
247 - O adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, morreu na manhã deste sábado (7) na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Brasília, em Águas Claras, no Distrito Federal. O estudante estava internado em estado grave desde o fim de janeiro, após sofrer agressões durante uma briga ocorrida em Vicente Pires. O óbito foi confirmado pelo advogado da família.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo Metrópoles. O ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso foi detido preventivamente no dia 30 de janeiro. Rodrigo havia sido socorrido em estado crítico, com traumatismo craniano, e permaneceu intubado na UTI, mas não resistiu às complicações decorrentes das lesões.
Segundo a investigação, a confusão teve início na noite de 22 de janeiro. Testemunhas relataram que Turra teria jogado um chiclete mascado em um amigo da vítima e, após provocações, os dois adolescentes passaram a se agredir fisicamente. Vídeos gravados no local mostram o momento em que Turra desfere um soco que faz Rodrigo bater violentamente a cabeça contra um carro. Com o impacto, o jovem caiu desacordado e chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido.
Pedro Turra foi detido em casa, sob vaias e gritos de moradores, e encaminhado à 38ª Delegacia de Polícia, em Vicente Pires. Ele já havia sido preso anteriormente pelo mesmo caso, mas acabou liberado após o pagamento de fiança de R$ 24 mil. Diante do agravamento do quadro da vítima e de novos elementos reunidos na apuração, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios solicitou uma nova ordem de prisão preventiva.
Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo inquérito, Pablo Aguiar, apresentou detalhes adicionais da investigação e afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos, incluindo a suposta tortura de uma adolescente com um taser. O delegado classificou o comportamento de Turra como “sociopata” e comentou, emocionado, a gravidade do caso.
A defesa reagiu às declarações. “O delegado não tem competência para definir o comportamento psicológico de ninguém. Isso pode configurar abuso de autoridade”, afirmou o advogado Enio Barros, que representa o ex-piloto.
Com a repercussão do caso, vieram à tona registros de outras ocorrências envolvendo Turra, como uma agressão em praça pública contra um jovem após desentendimento, uma briga de trânsito com agressões físicas a um motorista de 49 anos e uma denúncia de coação contra uma adolescente para ingerir bebida alcoólica em uma festa, o que pode configurar violação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Todos esses episódios seguem sob investigação.
Com a confirmação da morte de Rodrigo Castanheira, a tipificação do crime pode ser alterada para lesão corporal com resultado morte, o que aumenta a gravidade da acusação e a pena em caso de condenação. A lesão corporal seguida de morte, prevista no artigo 129, parágrafo 3º, do Código Penal, é considerada um crime preterdoloso, quando há intenção de agredir, mas o resultado morte ocorre por culpa.
A Polícia Civil informou que o inquérito conduzido pela 38ª DP foi relatado na sexta-feira (6) e deverá ser complementado com as novas informações após o óbito da vítima. Familiares e amigos de Rodrigo pedem justiça, enquanto colegas organizaram homenagens nas redes sociais e vigílias em frente à escola onde o adolescente estudava.