Aécio vê "recuo do recuo" e governo "nas cordas"
Oposição promete para hoje pacote de propostas que só dependem “em especial, da presidente da República” para serem implementadas; antes, porém, presidente do PSDB ironizou apresentação incompleta de proposta sobre plebiscito para fazer reforma política por meio de uma constituinte exclusiva, feita ontem pela presidente Dilma Rousseff; “Hoje já temos o recuo do recuo. O governo está nas cordas, não sabe o que fazer”, disse o senador; “Da parte da oposição, queremos propostas que venham a ser votadas como emendas à constituição, que é o leito mais seguro, mais natural”
Minas247 - Pré-candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves (MG) anunciou nesta terça-feira que a oposição pretende apresentar "detalhadamente" um conjunto de iniciativas que dependem exclusivamente do governo federal e, em especial, da presidente da República, nas áreas de mobilidade, saúde, educação e de segurança pública, "para que elas possam dar respostas rápidas e pontuais". O anúncio foi feito em entrevista coletiva com duras críticas à condução que a presidente Dilma Rousseff vem dando às questões cobradas pela população nas ruas nos últimos dias.
"A presidente da República falou ao Brasil ontem e disse da sua disposição que houvesse a convocação de uma Constituinte exclusiva. A intenção de todos nós é conhecer objetivamente quais as propostas da presidente da República", disse Aécio. "Nos chamou atenção o fato de ela não ter ouvido sequer os seus líderes do Congresso e os presidentes da Câmara ou do Senado, que foram comunicados a posteriori das suas intenções", criticou.
Segundo o senador, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai solicitar que Dilma encaminhe a proposta da Constituinte ao Congresso, estabelecendo quais os temas que ela considere adequados. Ele disse que a oposição vai cobrar do governo federal sua proposta de reforma política, "mas que venha através de uma emenda constitucional". "Achamos que esse é o leito mais seguro, mais natural. Uma reforma que possa ser discutida pelo Congresso e, se aprovada, submetida a um referendo da população brasileira".
Reforma política
"Portanto, temos uma discordância em relação ao procedimento, mas uma concordância absoluta em relação à necessidade de fazermos uma reforma política. Só não nos parece suficiente que a presidente da República manifeste uma intenção, mas não detalhe essa intenção. O que a presidente da República considera como temas essenciais à reforma política?", questionou, cobrando: "O sistema de governo, por exemplo, estaria em discussão? A possibilidade de implementarmos o Parlamentarismo no Brasil? Estaria em discussão a questão do voto distrital, do voto em lista? É preciso que a presidente diga com clareza qual a sua reforma política".
O senador destacou que, no Brasil, "não se vota nenhuma reforma constitucional, com a profundidade que precisa ser votada no Brasil, não apenas no campo político, mas em outras áreas, sem a ação efetiva da Presidência da República". "Temos um Presidencialismo no Brasil quase que imperial. Já que a presidente demonstra intenção de participar dessa discussão, que ela diga com absoluta clareza ao país quais os temas que ela considera essenciais à reforma política que ela acha que avança, que pode sintonizar um pouco mais o Parlamento com a sociedade brasileira", disse.
"Anúncio do recuo do recuo"
Aécio comentou que havia dúvidas na reunião desta terça-feira da oposição quanto à intenção do governo de convocar uma assembleia constituinte por meio de um plebiscito, "porque já havia anúncio do recuo do recuo". "Obviamente, isso cria dificuldades para a própria base do governo. Mas quero dizer que quando se fala de pacto, se o pacto é real, efetivo, bem-intencionado, é fundamental que as oposições sejam convocadas para essa discussão. Não se faz um pacto efetivo no Brasil, em qualquer área, apenas ouvindo seus assessores mais próximos, que foi o que aconteceu até aqui", criticou.
"Se ela tem intenção de convocar uma Assembleia Constituinte, ela tem que enviar essa proposta ao Congresso, que tem que ser aprovada pelo Congresso Nacional, e, a partir daí, os temas têm que ficar muito claros. Ela não pode simplesmente jogar sobre o Congresso a responsabilidade de votar algo que aqui, sabe-se, é extremamente polêmico", disse o senador. "O que vejo, na verdade, hoje, lamentavelmente, é um governo nas cordas, um governo sem estratégia, um governo sem a generosidade de ouvir todos os segmentos da sociedade, repito, inclusive a oposição", lamentou Aécio.
Apagão
O tucano foi ao governo Fernando Henrique Cardoso para criticar a conduta adotada por Dilma. "No momento em que tivermos uma crise lá atrás, a crise do apagão, obviamente sem esta gravidade, o presidente Fernando Henrique convocou todas as oposições, convocou todos os atores da cena política para discutir o problema. Falta a meu ver, nesse governo, a generosidade para compreender que o Brasil não tem dono e, talvez, seja esta a falta de generosidade uma das razões pela crise que estamos vivendo hoje no Brasil", comparou.