Afinal, qual é o saldo de tanta greve?

Com 33 categorias profissionais paralisadas, o Governo Federal endureceu o tom e muitos grevistas já aceitam negociar; Em Pernambuco, porém, os rumos dos movimentos de boa parte destes servidores somente deverá ser decidido ao longo da próxima semana

Afinal, qual é o saldo de tanta greve?
Afinal, qual é o saldo de tanta greve? (Foto: Edição/247)

Leonardo Lucena_PE247 – De um lado, o governo alega a impossibilidade de conceder reajustes salariais conforme os pedidos das categorias, por conta da crise econômica. Do outro, trabalhadores não abrem mão de suas reivindicações, sobretudo em relação à correção salarial. Esse é o cenário que toma conta do país. Porém, em meio a essas turbulências, os diálogos com o Ministério do Planejamento começam a dar resultados, ainda que de forma bastante remota. Em Pernambuco, a decisão de continuar as paralisações ou não deverá acontecer na próxima semana. Algumas categorias devem aceitar o diálogo e retornar ao trabalho. Outras não.

No caso dos professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Ministério do Planejamento apresentou proposta de reajuste salarial em 15,8% dividido em três parcelas de 5% para os anos de 2013, 2014 e 2015. Segundo o presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe), José Luiz Simões, uma assembleia será realizada na próxima segunda-feira (27), às 14h, na qual a categoria decidirá pela aceitação ou não dessa proposta.

“Até então, o governo não havia apresentado proposta alguma. Pelo menos, agora, saímos do zero. Vamos nos reunir na próxima segunda-feira para saber se os docentes aceitarão a proposta”, afirmou Simões. Os docentes pedem reajuste salarial de 45%. Antes, o governo havia apresentado projeto de reajuste na ordem de 25%, podendo chegar a 40% aos professores titulares, que, segundo Simões, representam apenas 5% da categoria.

Por outro lado, servidores e técnicos, tanto da UFPE como da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) já aceitaram a proposta do governo e retornarão às atividades na próxima segunda.

Já em relação aos servidores do Ministério da Saúde em Pernambuco, a proposta de correção salarial também foi dividida em três parcelas de 5% para os anos de 2013, 2014 e 2015. De acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais da Saúde e da Previdência Social no Estado de Pernambuco (Sindsprev-PE), José Bonifácio do Monte, o governo ainda não formalizou a proposta.

“Estamos aguardando o governo colocar essa proposta no papel, que tem até o dia 31 deste mês para formalizar essa sugestão. Depois, vamos apresentá-la à nossa categoria”, disse. Os funcionários pedem reajuste salarial de 45%, ampliação do efetivo e revisão das gratificações, além de melhorias na infraestrutura. Apenas 30% dos médicos nos ambulatórios estão trabalhando com a prestação de serviços emergenciais.

No caso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Pernambuco (Sindprf-PE), Paulo Arcoverde, diz que nada está acertado. “Se ficar decidido que vamos aceitar a proposta do governo, a greve estará encerrada. Mas isso não significa que vamos parar de lutar pelas outras reivindicações”, disse.

 

“De qualquer forma, na próxima semana vamos dar uma resposta ao governo”, complementou. Além de recomposição salarial, que, segundo Arcoverde, não há um percentual definido, a categoria também reivindica melhorias na infraestrutura física das unidades e ampliação do número do efetivo.

 

De todo modo, o governo, nas entrelinhas, argumento que o cenário global econômico desfavorável é um entrave para que haja reajustes salariais conforme os pedidos das categorias. Por outro lado, as classes trabalhadoras estão intransigentes em suas reivindicações. Resta saber como ambas as questões – crise econômica e dificuldade de negociação com os sindicatos – afetará a popularidade de Dilma Rousseff mais à frente.

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