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Alergias. Por que há tantas pessoas alérgicas hoje em dia?

Na França, como no Brasil e em quase em todo o mundo desenvolvido, especialistas já consideram a alergia como a "doença do século"

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Alergias. Por que há tantas pessoas alérgicas hoje em dia?
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Por Le Figaro 

François-Bernard Michel, pneumologista (Montpellier) membro da Academia Macional de Medicina, respondeu a questões fundamentais sobre o incremento dos casos de alergia em todo o mundo..

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A alergia é uma reação imunológica de defesa normal do organismo. Ser «alérgico», é de fato, ser excessivamente reativo face a elementos muitas vezes inofensivos, ao contrário das bactérias, vírus e parasitas. No mundo todo, 400 milhões de indivíduos sofre de rinite alérgica, metade da qual com asma, o que fez que a OMS classificasse estas alergias no quarto lugar das doenças crônicas.

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Seria a doença do século? Um francês em cada três tem alergia e uma vez em cada duas, trata-se de uma alergia respiratória. No Languedoc, onde desde 1976 fizemos as primeiras observações francesas de alergias aos ciprestes e cupressáceas, descobrimos que as rinoconjuntivites foram multiplicadas por 50! Quanto às alergias alimentares, elas parecem aumentar, principalmente por serem mais frequentemente diagnosticadas. Mas as alergias a amendoins foram multiplicadas por 3,5 em crianças, de 1997 a 2008, com um aumento alarmante de reações graves.

As doenças alérgicas decorrem de fatores hereditários e de fatores adquiridos (alérgenos e ambiente). O papel do ambiente é amplamente demonstrado. As crianças cujos pais são alérgicos têm quase duas vezes mais probabilidades de serem alérgicos, geralmente com o mesmo tipo de alergia.

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Exposições precoces e múltiplas

Tudo começa no útero com a alergia da mãe durante a gravidez para alimentos e ácaros. Uma sensibilização precoce que, contudo, também pode promover, tanto outras alergias como proteger. Quanto à frequência e grau das exposições, eles aumentam para todos os alérgenos. Na Itália, há vinte e cinco anos, a quantidade de pólens de oliveira e cipreste durante as estações polínicas, cada vez mais longas por causa do aquecimento global, tem continuado a crescer, paralelamente ao número de indivíduos sensibilizados. As rinofaringites da primeira infância que alteram as células das mucosas favorecem também a passagem de alérgenos e suas sensibilizações. 

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A diversificação alimentar precoce tem certa influência. Em adultos, podemos culpar os aditivos de todos os tipos (nem sempre detectáveis nas etiquetas), a industrialização, o impacto dos produtos exóticos, o consumo insuficiente de antioxidantes e, a montante, a agricultura química e as novas técnicas de criação de animais com o emprego muitas vezes abusivo de hormônios e de antibióticos. O diagnóstico é tão complexo que estas alergias são cruzadas entre alérgenos ingeridos e inalados, com sintomas digestivos, cutâneos (urticária), e gerais (choque anafilático extremamente grave). Contamos com a biologia moderna para entender melhor esses mecanismos e estabelecer abordagens terapêuticas.

Tabaco e estilos de vida 

As partículas de óleos diesel, são perigosas, pois alguns compostos químicos e pólens alergênicos ficam grudados nelas, o que aumenta o risco de alergia. No Japão, ciprestes ancestrais não alergênicos tornaram-se alergênicos após a abertura de estradas circulares nas proximidades. A poluição por ozônio favorece as alergias porque a mucosa nasal absorbe 40 % do ozônio inalado, mas as rinites também podem ser inflamatórias. No entanto, a poluição industrial está em declínio, mesmo se, ao confrontar as alergias entre as ex-duas Alemanha, observou-se paradoxalmente, menos alergia no Leste poluído que no Oeste…

 

 

Mas os fatores ambientais predominantes não são necessariamente aqueles que imaginamos. É preciso voltar mais prosaicamente ao tabaco e aos nossos estilos de vida. Antes de tudo, a poluição está dentro de nossos lares pouco arejados e muito aquecidos, promovendo ácaros e mofos e, sobretudo entregues a cada vez mais produtos de limpeza, sem dúvida, alergênicos.

No sangue, alguns anticorpos mostram uma sensibilidade alérgica. Ao medi-los, constatou-se um aumento regular do terreno alérgico nestes últimos anos. Mas a alergia é uma doença como outra qualquer, que os médicos estão diagnosticando cada vez melhor. Não é mais necessário hesitar em consultar e se recomenda detectá-la desde a mais tenra idade.

 

 

Alergias aumentam também no Brasil (NDR)

No Brasil, estima-se que 30% da população tenha algum tipo de alergia. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), a rinite atinge 30% e a asma 10% das pessoas. Nos Estados Unidos, a alergia é a quinta doença crônica mais prevalente em todas as idades e a terceira mais comum em crianças. “Estudos mostram que há um crescimento no aparecimento de todos os tipos de alergias no mundo todo”, disse ao site de VEJA Rachel Miller, professora de Medicina e Ciências Ambientais de Saúde da Universidade Columbia, em Nova York. Em 1980, somente 10% da população ocidental sofriam de alergias. Hoje, o número é três vezes maior. E, de acordo com previsões da Rede Global de Alergia e Asma (Galen), metade da população da Europa vai sofrer de algum tipo de alergia até 2015. 

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