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Ampliação de aeroporto é discutida em Porto Alegre

Audiência pública na Câmara Municipal escancarou a falta de perspectivas concretas para o início das obras Aeroporto Internacional Salgado Filho; superintendente em exercício do empreendimento, Hélio Cardoso Ferreira evitou falar de prazos: "Essas questões estão centralizadas em Brasília", disse; prefeito José Fortunati criticou estudo que determina fechamento do aeroporto para construção de um novo na Região Metropolitana

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Por Samir Oliveira, do portal Sul 21

Fotos: Francielle Caetano/CMPA

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A obra de ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, não ficará completamente pronta até a Copa do Mundo de 2014. Essa informação já havia sido anunciada no dia 10 de dezembro de 2012, durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa. E, na noite desta segunda-feira (11), outra audiência pública – desta vez, na Câmara Municipal – escancarou a falta de perspectivas concretas para o início do empreendimento.

O superintendente em exercício do Salgado Filho, Hélio Cardoso Ferreira, evitou comentar prazos para o início da obra. "Essas questões de prazos estão centralizadas em Brasília", disse, ao ser questionado pela imprensa.

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Em janeiro de 2011, a Infraero repassou ao Exército a tarefa de elaborar o projeto de engenharia da obra, que deveria ter sido entregue em março daquele ano. Desde então, os sucessivos atrasos fizeram o governo federal abolir comentários públicos sobre prazos. Até hoje, ninguém confirma com certeza se o projeto já está pronto e quando a licitação poderá ser lançada – especula-se que poderá ser até o final de abril deste ano, para que o empreendimento comece a sair do papel em junho. A partir daí, levaria cerca de um ano e meio para ser concluído.

A ampliação em 920 metros da pista de pouso envolve uma série de obras e medidas complexas. A princpal delas é a construção de um canal de macro-drenagem no entorno do aeroporto, refazendo a proteção contra cheias que existe atualmente na Vila Dique.
Outro fator diz respeito às desapropriações. Pelo menos 1.150 famílias da Vila Dique e mais 1.150 da Vila Nazaré estão sendo remanejadas para outros lugares.

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Ainda não se sabe, também, quanto custará a obra de ampliação da pista do Salgado Filho. Os recursos viriam do PAC e o empreendimento será contratado mediante o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), criado pelo governo federal para abreviar os rituais e prazos das licitações públicas.

Ampliação da pista não seria necessária para realização da Copa

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As autoridades presentes na audiência pública da Câmara Municipal asseguraram que a inconclusão da obra de ampliação da pista do Salgado Filho até 2014 não compromete a capacidade de Porto Alegre para a Copa do Mundo. Tanto o superintendente em exercício do Salgado Filho quanto o prefeito José Fortunati (PDT) – que esteve presente no encontro – afirmaram que o aeroporto tem condições de suportar a demanda gerada pelo evento.

Hélio Cardoso Ferreira informou que, atualmente, o fluxo de passageiros e aeronaves representa somente 46% da capacidade total do Salgado Filho. Com capacidade para atender a 13,1 milhões de passageiros por ano, o aeroporto registrou, em 2012, uma utilização de 8 milhões de passageiros – sendo que, para 2014, a projeção de aumento na demanda é de 6,5%. "Hoje atenderíamos tranquilamente a Copa", disse o superintendente.

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Os técnicos do Salgado Filho explicaram que a ampliação da pista é necessária para que o aeroporto possa receber aviões de grande porte, utilizados para transporte de cargas de exportação. Além disso, informaram sobre outras 15 melhorias que estão sendo implementadas no Salgado Filho.

Das atuais 25 posições para aeronaves comerciais, o aerporto ampliará a estrutura para 32 vagas até 2014. Nos últimos anos, os postos de check-in passaram de 32 para 77 e os pórticos de inspeção, com máquinas de raio-x, subiram de cinco para 13. Até o final deste ano, os técnicos esperam concluir a obra de ampliação do módulo de desembarque, o que desafogará as esteiras para recepção de bagagens.

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Construção de um novo aeroporto atende a interesses "privatistas", critica Fortunati

A audiência pública sobre a ampliação da pista do Salgado Filho serviu, também, como palco de discursos em defesa do aeroporto de Porto Alegre. Os pronunciamentos foram uma reação a um estudo contratado pela Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) e divulgado no início deste ano. De acordo com o projeto, a construção de um novo aeroporto na Região Metropolitana, maior e com capacidade para exportação de cargas, implicaria no fechamento do Salgado Filho – para que o novo empreendimento pudesse ter viabilidade econômica e dar retorno aos investidores.

Presente na audiência, o prefeito da Capital, José Fortunati, criticou essa possibilidade. "A discussão sobre um novo aeroporto é democrática e pode ser feita. Mas a defesa do fechamento do Salgado Filho atende a outros interesses que não o interesse público", afirmou.

Fortunati disse que está disposto a fazer esse "confronto político" e lançou um desafio: "Quero que me digam qual argumento para a construção de um outro aeroporto, fechando o Salgado Filho, que não seja meramente privatista".

Vereador Idenir Cecchim disse que fechamento do Salgado Filho atende a interesse do Grupo Sinos | Foto: Ederson Nunes/CMPA
O prefeito se reuniu na semana passada com o diretor de Operações da Infraero, que garantiu que a obra de ampliação da pista do Salgado Filho irá começar neste ano. Com isso, Fortunati acredita que "as pressões obscuras" pelo fechamento do aerporto "começam a perder força".

Eu seu pronunciamento, o prefeito não deu detalhes sobre o processo de desapropriação das famílias que moram na área onde será realizada a obra. Apenas comentou que "pessoas que moram literalmente embaixo do lixo estão sendo remanejadas para ter uma vida digna".

A região onde moravam essas pessoas já está desocupada e cercada para garantir o empreendimento. "A obra poderia começar hoje", disse Fortunati.

Além das desapropriações, a prefeitura, orientada pela Infraero, trabalha para remover os chamados "obstáculos" ao redor da área onde será construída a ampliação da pista – como, por exemplo, a remoção de uma caixa d'água que fica localizada a uma altura não permitida para a proximidade do aeroporto.

Além do prefeito, o vereador Idenir Cecchim (PMDB) subiu à tribuna para criticar a tentativa de fechamento do Salgado Filho. "É preciso dar nome aos bois. O Grupo Sinos e mais meia dúzia de empresas compraram a ideia de que é preciso um novo aeroporto e o fechamento do Salgado Filho. Isso também atende a interesses de um grupo empresarial com muitas terras na região de Nova Santa Rita", disse, com referência à cidade onde seria construído esse novo aeroporto. Especula-se que essa empresa a qual o vereador fez alusão seria o Grupo Gerdau.

Além das autoridades municipais e dos representantes da Infraero, a audiência também contou com a presença da senadora Ana Amélia Lemos (PP) e do deputado federal Afonso Hamm (PP), que é vice-presidente da Comissão de Turismo da Câmara. Ambos manifestaram preocupação com o atraso para a realização das obras no Salgado Filho e cobraram prazos do governo federal.

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