Analistas políticos: protestos anti-PT não devem ser subestimados

Desde o dia 26 de outubro, quando as urnas sacramentaram a reeleição de Dilma, o país tem assistido a uma série de protestos que demonstram inconformidade com esse resultado, que pedem impeachment da petista; além do teor anti-petista, manifestantes criticam governos de esquerda na América do Sul; sob o argumento de que “bolivarianismo” representaria uma ameaça à democracia; para cientistas políticos, essas apelos não estão conquistando tanto apelo na sociedade; no entanto, especialistas acreditam que essas mobilizações não devem ser subestimadas e aponta que elas revelam uma inconformidade com o processo democrático e acirram – e pautam – o debate político pelo viés reacionário

Desde o dia 26 de outubro, quando as urnas sacramentaram a reeleição de Dilma, o país tem assistido a uma série de protestos que demonstram inconformidade com esse resultado, que pedem impeachment da petista; além do teor anti-petista, manifestantes criticam governos de esquerda na América do Sul; sob o argumento de que “bolivarianismo” representaria uma ameaça à democracia; para cientistas políticos, essas apelos não estão conquistando tanto apelo na sociedade; no entanto, especialistas acreditam que essas mobilizações não devem ser subestimadas e aponta que elas revelam uma inconformidade com o processo democrático e acirram – e pautam – o debate político pelo viés reacionário
Desde o dia 26 de outubro, quando as urnas sacramentaram a reeleição de Dilma, o país tem assistido a uma série de protestos que demonstram inconformidade com esse resultado, que pedem impeachment da petista; além do teor anti-petista, manifestantes criticam governos de esquerda na América do Sul; sob o argumento de que “bolivarianismo” representaria uma ameaça à democracia; para cientistas políticos, essas apelos não estão conquistando tanto apelo na sociedade; no entanto, especialistas acreditam que essas mobilizações não devem ser subestimadas e aponta que elas revelam uma inconformidade com o processo democrático e acirram – e pautam – o debate político pelo viés reacionário (Foto: Leonardo Lucena)

Samir Oliveira, Sul 21 - Desde o dia 26 de outubro, quando as urnas sacramentaram a reeleição de Dilma Rousseff (PT) por 51,64% dos votos, o país tem assistido a uma série de manifestações que demonstram inconformidade com esse resultado. As pessoas que comparecem a estes atos pedem para a recontagem dos votos, apelam para o impeachment e, em alguns casos, até mesmo para uma intervenção militar.

As manifestações convocadas pela direita pegam o embalo do escândalo de corrupção na Petrobras, que está sendo investigado pela Polícia Federal e vem revelando uma relação de promiscuidade entre agentes públicos e executivos das principais empreiteiras do país. Contudo, apesar de o esquema envolver políticos do PT, do PMDB e do PP, os protestos direcionam toda fúria somente na direção dos petistas – muitos, inclusive, contam com a presença de lideranças do PP, como a vereadora de Porto Alegre Mônica Leal e o 1º suplente de deputado estadual Marcel van Hattem.

Outra presença garantida nos discursos destes manifestantes, além do claro teor anti-petista, é a crítica aos governos de esquerda na América do Sul. Para essas pessoas, o chamado “bolivarianismo” representaria uma ameaça à democracia – embora os presidentes de Argentina, Uruguai, Equador, Venezuela e Bolívia tenham sido todos democraticamente eleitos – e o Brasil, sob o comando do PT, estaria incluído nesta espécie de “eixo do mal”.

Para os cientistas políticos ouvidos pela reportagem do Sul21, as manifestações de caráter conservador não estão conquistando tanto apelo na sociedade, já que o número de participantes têm se estagnado entre um a três mil adeptos. Contudo, os especialistas acreditam que essas mobilizações não devem ser subestimadas e aponta que elas revelam uma inconformidade com o processo democrático e acirram – e pautam – o debate político pelo viés reacionário.

“É uma direita que não tem medo de mostrar a cara”, afirma professor da PUCRS

Professor da Faculdade de Ciências Sociais da PUCRS, Adão Clóvis Martins dos Santos observa que as manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff repetem um fenômeno que desde a década de 1960 o país não via: o retorno da direita às ruas. “É uma direita que não tem medo de mostrar a cara, de se dizer de direita e anticomunista. Ao defender essas pautas, está minando a própria democracia representativa, que é extremamente frágil”, avalia.

Ele entende que a tentativa de cassar o mandato recém conquistado nas urnas pela presidenta remonta a táticas utilizadas por setores conservadores em países como Honduras e Paraguai, onde as elites políticas retiraram do poder presidentes democraticamente eleitos. “A direita na América Latina descobriu que o momento não é de bater à porta dos quarteis, mas de bater na porta do Judiciário”, compara.

O sociólogo aposta na reação de setores da esquerda para que os apelos conservadores sejam barrados e que o Palácio do Planalto possa elaborar políticas públicas mais progressistas, avançando na garantia de direitos civis e na instituição de reformas populares. “Existe um entendimento por parte dos movimentos sociais de que a partir de uma frente unificada de esquerda é possível fazer com que os novos processos persistam. No sábado passado, no Bloco da Diversidade, os manifestantes gritavam: ‘Se a Dilma não avançar! Nós vamos ocupar!’. É possível, através da pressão, fazer com que a institucionalidade se incline para os projetos populares. Se depender da correlação de forças no Congresso, isso não irá ocorrer”, projeta.

“Essa direita possui representação política, não é um grupo tribalista”, diz cientista político

Cientista político e professor da ESPM, da Unisinos e da Unifin, Bruno Lima Rocha identifica as manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma com a oposição que Carlos Lacerda fazia ao governo de Getúlio Vargas. “Eles entendem que o lulismo é um entrave à retomada do poder do Estado e apostam que a corrupção endêmica que estaria atravessando o país dá margem a uma proposta mais udenista”, comenta.

Para o analista, o caldo social destas mobilizações é fermentado “na subcultura reacionária da internet” e em expressões midiáticas como a revista Veja e alguns comentaristas da Globo News. ”Essa direita incomoda muito e funciona como um termômetro da tensão política no país. Essa direita tem representação política, não é um grupo tribalista”, observa.

Bruno Lima Rocha acredita que setores à esquerda do Palácio Planalto estejam se mobilizando para barrar as pautas conservadoras e tentar impor uma agenda mais progressista ao governo federal. “A base social organizada à esquerda do núcleo duro do governo percebe que, ao colocar suas bandeiras na rua, a direita diminui ainda mais a tímida margem e manobra do governo”, constata.

“Sentimento anti-petista, que sempre existiu, toma dimensão que talvez preocupe no futuro”, alerta cientista político da PUCRS

Coordenador do Centro Brasileiro de Pesquisas em Democracia, o cientista político da PUCRS Rafael Madeira evita um tom alarmista, ao comentar sobre os protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, mas considera que a democracia deve ficar atenta ao crescimento do fenômeno anti-petista. “Esse sentimento anti-petista, que sempre existiu, toma agora uma dimensão que talvez possa preocupar no futuro, porque não é bom para a democracia e está, de alguma forma, ganhando corpo. O anti-petismo está levando ao não reconhecimento do outro como um postulante legítimo”, analisa.

Para o professor, a polarização acirrada das eleições presidenciais e a possibilidade de o PSDB quase ter retornado ao poder acabaram dando fôlego às mobilizações da direita. “Esse movimento é um reflexo do grau de acirramento do processo eleitoral e da paridade do resultado final, que talvez tenha feito com que setores mais resistentes às políticas do governo federal tenham aumentado ainda mais suas frustrações com a sensação de que quase atingiram o objetivo de retirar o PT do poder”, resume.

Rafael Madeira projeta que a presidenta Dilma Rousseff terá que equilibrar em seu próximo mandato uma resposta rápida e eficiente para a recuperação da economia e uma ação política concreta que possa contemplar parte das reivindicações da esquerda. Tudo isso sem descuidar de outro ponto que ele considera que foi deficiente em seu primeiro mandato: a relação com o Congresso Nacional, que se apronta para eleger o principal inimigo do Planalto, o líder do PMDB, deputado federal Eduardo Cunha (RJ), como próximo presidente da Câmara.

Conheça a TV 247

Mais de Geral

Ao vivo na TV 247 Youtube 247