Anorexia. O que se passa no cérebro das vítimas

Um estudo com 42 mulheres jovens com anorexia descobriu que circuitos cerebrais específicos são ativados na hora das refeições.

Anorexia. O que se passa no cérebro das vítimas
Anorexia. O que se passa no cérebro das vítimas

 

 

Por Cécile Thibert – Le Figaro

 

Mesmo estando internados a fim de se curar, pacientes anoréxicos, na maioria mulheres jovens, não conseguem se controlar e selecionam os alimentos que impedirão que ganhem peso. Pesquisadores da Universidade de Columbia em Nova Iorque investigaram os mecanismos que estão por trás desse distúrbio do comportamento alimentar. Seus resultados, publicados neste mês na revista  Nature Neuroscience revelaram pela primeira vez a existência de um vínculo particular entre a anorexia e uma área do cérebro chamada striatum dorsal.

Atividade cerebral diferente

No total, 42 mulheres – uma metade internada devido à anorexia, a outra, apresentando uma dieta normal – participaram do experimento. Enquanto elas passaram por uma série de testes nos quais deviam escolher um prato dentre muitos, os pesquisadores monitoraram a atividade de seu cérebro. Sem surpresas, as anoréxicas escolheram sistematicamente os alimentos menos calóricos.

Quanto ao cérebro, imagens revelaram que as anoréxicas foram as únicas a apresentar uma atividade específica no stratium dorsal, uma área conhecida por desempenhar um papel na formação dos automatismos e aprendizados.

Comportamentos automáticos

«No estudo, fica claro que, mesmo que essas moças estejam no hospital para se curar, elas são incapazes de fazer as escolhas certas. Elas controlam sua fome para emagrecer. Esta perda de peso lhes dá uma sensação de satisfação fazendo com que  repitam suas ‘más’ escolhas alimentares de modo automático», explica Marion Luyat, mestre de conferências em psicologia cognitiva na Universidade de Lille 3.

«Este estudo é o primeiro a mostrar que restrições alimentares ligadas à anorexia mental são comportamentos aprendidos. Mas se o estudo ajuda a compreender melhor os mecanismos envolvidos, ele não deve ser encarado como uma nova perspectiva terapêutica», comenta Nathalie Godart, psiquiatra infantil no Institut Mutualiste Montsouris (Paris). Ela é também pesquisadora no INSERM e vice-presidente da Associação francesa para o desenvolvimento das estratégias especializadas sobre os transtornos do comportamento alimentar.

Na opinião de Nathalie Godart, estes novos itens combinam com os tratamentos que são atualmente oferecidos aos pacientes: «Temos uma abordagem multidisciplinar que nos permite intervir nesses hábitos ». Embora essas novas informações sejam utilizadas no momento em muitas pesquisas em fase de desenvolvimento, as causas profundas da anorexia permanecem, por enquanto, bastante misteriosas.

 

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