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Ao apoiar Aécio, PTB reedita 2010. Dará certo?

Apesar da celeuma provocada pelo anúncio de que o PTB não apoiará a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), mas subirá no palanque do tucano Aécio Neves, os diretórios estaduais dão mostras de tranquilidade e irão buscar reverter a situação na convenção da legenda, marcada para o dia 27; além disso, como não existe uma verticalização, a decisão não traz maiores repercussões às coligações estaduais; o que estaria acontecendo na realidade seria uma reedição de uma estratégia empregada pelo PTB em 2010, quando a bancada federal apoiou a eleição de Dilma e a Executiva Nacional cedeu o espaço de tempo de televisão para o então candidato tucano, José Serra

Apesar da celeuma provocada pelo anúncio de que o PTB não apoiará a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), mas subirá no palanque do tucano Aécio Neves, os diretórios estaduais dão mostras de tranquilidade e irão buscar reverter a situação na convenção da legenda, marcada para o dia 27; além disso, como não existe uma verticalização, a decisão não traz maiores repercussões às coligações estaduais; o que estaria acontecendo na realidade seria uma reedição de uma estratégia empregada pelo PTB em 2010, quando a bancada federal apoiou a eleição de Dilma e a Executiva Nacional cedeu o espaço de tempo de televisão para o então candidato tucano, José Serra (Foto: Paulo Emílio)
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Paulo Emílio, Pernambuco 247 - Após a indicação por parte da direção nacional do PTB de que a legenda deverá apoiar a candidatura presidencial do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e a gritaria contrária por parte dos parlamentares pedetistas, que esperavam que o partido estivesse no palanque em torno da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), as razões internas que levaram a súbita mudança de rumo começam a aparecer. A estratégia central, neste caso, é semelhante a empregada pelo PDT em 2010, quando a bancada federal apoiou a eleição de Dilma e a Executiva Nacional cedeu o espaço de tempo de televisão para o então candidato tucano, José Serra.

"A situação agora é a mesma. É um café requentado, um jogo de cena. Como não existe verticalização, Aécio ganha tempo de televisão e os estados ficam liberados para fazer as alianças que acharem mais convenientes. Em Pernambuco, por exemplo, o PTB tem o senador Armando Monteiro Neto como candidato ao Governo do Estado. O candidato a vice deve ser do PDT e o candidato ao Senado é o atual deputado petista João Paulo. Ou seja, no Estado Armando terá ao seu lado Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da silva. Nada muda, a não ser a barganha para se tentar servir a dois senhores", avaliou uma fonte próxima ao PTB ao Pernambuco 247.

A gritaria, então, estaria sendo orquestrada por alguns poucos parlamentares realmente indignados com a súbita mudança de rumo tomada pela direção do partido. "Na realidade, o Benito (Benito Gama, presidente do PTB) é uma espécie de preposto do ex-presidente Roberto Jeferson. Ele não faz nada sem que o Roberto aprove ou determine. Fizeram a mesma coisa lá atrás, em 2010, com o José Serra. Agora repetem o lance com Aécio. Desta forma, o PTB pode seguir pleiteando manter cargos que possui, como a Susep e Conab, e negociar a eleição do próprio Benito para deputado federal pela Bahia, bem como a de Campos machado em São Paulo", ressaltou a fonte.

Com o apoio do PTB, Aécio passa a contar com mais 1 minuto e 30 segundos de tempo no seu guia eleitoral, além dos 5 minutos de que já dispunha anteriormente ao anúncio feito pela direção nacional do PTB.

Pelo sim, pelo não, os diretórios estaduais da legenda já dão mostras de inquietação. Em Pernambuco, por exemplo, o diretório local já está se movimentando para tentar reverter a decisão da Executiva Nacional. Até então, Pernambuco pretendia enviar apenas um representante à convenção nacional da legenda, que será realizada na próxima sexta-feira (27), em Salvador (BA).

Agora, todos os dez "convencionados" pernambucanos, além dos dois deputados federais, deverão participar da convenção. Até mesmo o senador e pré-candidato ao Governo Estadual, Armando Monteiro, já teria manifestado o desejo de ir à Bahia e votar de forma contrária à decisão da Executiva Nacional. Mobilizações semelhantes também estariam acontecendo em outros estados.

Apesar de toda a gritaria, afora o fato da situação ter exposto o partido de forma desnecessária, uma vez que o apoio à reeleição de Dilma era tido como uma certeza, o apoio à candidatura de Aécio Neves não deverá trazer maiores implicações para a legenda. Como não existe uma verticalização obrigando as instâncias estaduais a seguirem a determinação do diretório central, as coligações estaduais seguem sem alterações.

Em Pernambuco, por exemplo, Dilma e Lula devem pedir votos para Armando e vice-versa. Os problemas, neste caso, segundo membros da sigla pedetista, podem surgir mediante a interpretação de uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A resolução 23.404 do TSE permite uma dupla interpretação no que diz respeito à participação de integrantes de um partido serrem inseridos nas peças de campanha de uma outra legenda que não esteja alinhada com as instâncias superiores.

Se este for o entendimento, a aliança entre o PTB nacional e o PSDB de Aécio Neves poderá barrar a veiculação de Dilma e Lula junto a campanha de Armando. Esta situação levou a presidente do PT em Pernambuco, deputada estadual Teresa Leitão, a avaliar o caso com cuidado."Não vou me posicionar até queos assessores jurídicos do PT me darem um posicionamento. Há duas possibilidades, mas vamos esperar a convenção do PTB, no dia 27", disse a parlamentar em entrevista ao Jornal do Commercio.

Apesar do temor do aliado, o PTB pernambucano aparenta tranquilidade. "Não existe nenhum tipo de impedimento. Não existe uma verticalização que imponha ou obrigue os estados a seguirem a decisão da Executiva Nacional. Tanto Dilma como Lula estarão no palanque de Armando. Inclusive, o PTB e o PT já estão acertando os detalhes desta participação, seja para o guia de rádio e televisão como, também, na fase da campanha de rua propriamente dita", assegurou um petebista ligado ao comando da pré-campanha em Pernambuco.