Apenas dois minutos viram horas de discórdia em BH
Decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, pelo apoio a Patrus Ananias (PT), depois revertida por liminar na Justiça (favorável ao prefeito Marcio Lacerda), segue em polêmica. A briga entre os grupos rivais da legenda ganha novos ingredientes, tendo como pano de fundo os 2min diários que o apoio trará à propaganda do candidato
Minas 247 - A indefinição sobre o destino do apoio do novato PSD em Belo Horizonte é o assunto da vez na eleição de outubro da capital. Tudo pelos dois minutos que significam o apoio do partido no horário eleitoral da TV.
O criador e presidente nacional do PSD, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, optou pelo apoio à candidatura de Patrus Ananias (PT). A bancada municipal e parte da estadual do partido não aceitou, no que teve o apoio de lideranças importantes, como a senador Kátia Abreu (PSD-RO).
No momento, o grupo rebelde é liderado pelo secretário-geral do PSD em BH, Alexandre Silveira (também secretário do governo estadual do PSDB), que conseguiu na Justiça uma liminar que põe seu partido ao lado da candidatura de Marcio Lacerda (PSB) à reeleição. A direção estadual, chefiada pelo presidente da legenda em Minas, Paulo Simão, garante, entretanto, que conseguirá reverter a decisão. Ele alega que os deputados federais do PSD no estado foram consultados sobre o assunto e aceitaram a decisão de Kassab, pelo apoio a Patrus.
Em tempo: o PSD terá direito a dois minutos e dois segundos diários, nos 30 dedicados à propaganda na TV. Com ele, Lacerda passaria a contar com 14min diários, ante 9min destinados à propaganda petista. Sem o PSD, o equilíbrio seria maior: cerca de 12min a 11min, respectivamente.
Leia a matéria de Daniel Camargos, do jornal Estado de Minas:
O tempo destinado ao PSD na propaganda eleitoral gratuita é de apenas dois minutos e dois segundos, mas o tamanho da confusão no partido é difícil de ser cronometrado e deve se arrastar por muito mais tempo até uma decisão definitiva sobre de qual lado estará a legenda novata. O secretário-geral do PSD em Belo Horizonte e em Minas Gerais, Alexandre Silveira, que é secretário de Gestão Metropolitana do governo de Antonio Anastasia (PSDB), promete fazer uma rebelião no PSD. O discurso de Silveira é voltado, principalmente, contra o presidente da legenda em Minas Gerais, Paulo Safady Simão. “O partido não pode ser conduzido de forma personalista, por uma, duas ou três pessoas. Temos que rever a direção em Minas”, afirma Silveira.
Silveira foi o mentor da ação que gerou a decisão liminar, na noite de segunda-feira, do juiz do Foro Eleitoral de Belo Horizonte Rogério Alves Coutinho, garantindo o apoio à candidatura de Marcio Lacerda (PSB). Entretanto, a direção estadual do partido, com o aval da direção nacional, quer apoiar o candidato Patrus Ananias (PT). “Foi um grande equívoco da Justiça Eleitoral de Minas”, afirma Simão, que disse ontem que recorrerá da decisão.
Silveira, por sua vez, alega que registrou a ata da convenção no prazo legal e que o apoio à candidatura majoritária do PSB e a coligação proporcional com PPS foram aclamados por unanimidade pelo diretório municipal. A convenção do PSD foi realizada em um sábado e no dia seguinte o PT rompeu com Lacerda, decidindo pela candidatura própria. No dia seguinte, uma segunda-feira, de acordo com Silveira, o PSD reafirmou o apoio a Lacerda, em um encontro à noite no gabinete do prefeito. Porém, ainda segundo Silveira, a intervenção nacional do partido aconteceu sem consultar a base do partido.
Simão, que compactua da decisão de Kassab, discorda de Silveira. Afirma que os deputados federais da legenda foram consultados e que inclusive Silveira que foi eleito deputado, mas é licenciado, pois é secretário estadual, foi convidado a participar da reunião, mas não foi. “Dos cinco deputados, quatro votaram pelo apoio a Patrus”, garante Simão. Para o presidente estadual do PSD, o voto dos deputados federais é o mais importante, pois foi por causa da bancada federal que o partido conseguiu o tempo de televisão.
A rixa entre os dois segue forte. Silveira considera a atitude da direção nacional do partido de apoiar Patrus um ato de “brutalidade e cheio de irregularidades”. Ele entende também que a atitude prejudicou o partido, que, coligando proporcionalmente com o PPS, teria três candidatos a vereador. Na coligação com o PT teria apenas um. “A senadora Katia Abreu e o ex-deputado federal Roberto Brant são testemunhas do que digo”, garante Silveira. Kátia já manifestou sua indignação e chegou, inclusive, a receber convite do PMDB. Brant saiu do partido.
Depois do rompimento, Silveira acredita que sua atitude contribuirá para o partido. “A tentativa da direção nacional foi dar uma satisfação daquilo que eles prometeram para o governo federal”, avalia. Ele engrossa o tom e quer que Simão e Kassab revejam as posições. “Do mesmo jeito que refluíram saindo do Lacerda para o Patrus, podem voltar”, afirma. Sobre Simão também diz: “Acho nobre a missão dele de fazer política empresarial, mas, se ele entendesse de política partidária, não teria feito as agressões que fez”. Silveira diz também que o partido não tem coragem de expulsá-lo e que recebeu 200 mil votos na última eleição.
Simão afirma que tem orgulho de ter construído a vida fazendo política empresarial e que a coligação foi desfeita porque o PSB rompeu com o PT. “É difícil domar todas essa feras. Inclusive as feras do bem e do mal”, afirma. Por fim resumiu: “Esse guerra toda é por causa do tempo de televisão”.