Apendicite. Uma pequena incisão ou três furos minúsculos?

A apendicectomia, que continua sendo uma referência, é agora muitas vezes substituída por uma abordagem laparoscópica.

Apendicite. Uma pequena incisão ou três furos minúsculos?
Apendicite. Uma pequena incisão ou três furos minúsculos?

 

 

Por Pauline Léna – Le Figaro

 

A apendicectomia continua sendo a primeira intervenção cirúrgica de emergência. Ela também é um dos pilares da formação de cirurgiões, uma das primeiras intervenções que eles realizam, pois ela é uma das mais simples quando o diagnóstico é claro. A técnica convencional, desenvolvida no final do século XIX , consiste em fazer uma incisão no ponto de Mc Burney, perto do apêndice, na maioria dos casos. Este último é então agarrado, cortado e removido pela mesma incisão. «Os estudos mostram que esta abordagem, simples, rápida e barata, permanece a melhor e mais segura para qualquer homem ainda jovem e magro », relembra o Prof. Philippe Wind, chefe do departamento de cirurgia geral no Hospital Avicenne em Bobigny.

Esta técnica, que continua sendo uma referência, é agora muitas vezes substituída por uma abordagem laparoscópica: o cirurgião faz várias micro-incisões por onde ela passa seus instrumentos e uma câmera, o que lhe permite visualizar a cavidade abdominal. «Os novos cirurgiões apreciam o conforto desta abordagem, o que lhes permite encontrar o apêndice, mesmo quando ele não está onde esperamos que esteja, sem ter que estender a incisão original», indica o Prof. Wind.

Além disso, a laparoscopia permite explorar a cavidade abdominal, como às vezes acontece, o apêndice é colocado fora de questionamento nesta fase. A laparoscopia apresenta um risco ligeiramente superior quanto às complicações. Ela é mais longa e mais cara. No entanto, ela é superior para pacientes obesos ou para mulheres cujos sintomas encontram-se relacionados a um distúrbio ginecológico.

Para ambas as intervenções, o risco principal é que o cirurgião «solte» a extremidade superior do apêndice antes de tê-la suturado. Matérias fecais podem escapar e causar uma infecção no peritônio. Além disso, um abcesso se forma, às vezes, em torno da área suturada: será preciso intervir novamente para drená-lo.

O que a apendicite?

Apendicite é uma inflamação ou infecção do apêndice. O apêndice é um órgão pequeno (alguns centímetros) que não tem função própria, mas que é capaz de inflamar-se rapidamente e infectar-se, até criar um abcesso. Ele está situado na parte terminal direita do intestino grosso ou cólon e sua posição pode variar em relação a este último.
A ausência de apêndice não tem nenhuma consequência, porém, a apendicectomia (remoção do apêndice) como medida preventiva sistemática não é recomendada.

O apêndice não tem função própria. É um vestígio da evolução embrionária, anexado à parte terminal e direita do intestino grosso (o cólon). Uma das dificuldades do diagnóstico (e eventualmente da operação) se encontra nas mudanças de posição do apêndice: a mais comum (70 % dos casos) está na parte inferior e na direita (o que é chamado de posição ilíaca direita), mas ela também pode estar em cima e atrás (posição dita retrocecal), até subir francamente sob o fígado,  ou ainda, descer muito para baixo na bacia, no meio do abdômen …

O apêndice é um órgão pequeno (alguns centímetros, este comprimento podendo variar), suscetível de se inflamar rapidamente devido à sua riqueza em células linfáticas, e se infectar até criar um abcesso importante. É preciso dizer desde o início que a necessidade de apendicectomia "preventiva" não tem fundamento sobre bases científicas sérias, mesmo que a ausência de apêndice não tenha em si, nenhuma consequência. Além da inflamação, algumas outras causas raras são identificadas: parasitose (como os oxiúros), tumores (câncer ou mais frequentemente, tumor dito carcinóide)…

 

 

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