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Após 10 meses de luta, jovem falece por sequelas do metanol em gin contaminado

Guilherme Torres da Silva tinha 22 anos, sofreu graves sequelas por quase dez meses e não resistiu a complicações pulmonares

Guilherme Torres da Silva tinha 22 anos, sofreu graves sequelas por quase dez meses e não resistiu a complicações pulmonares (Foto: Reprodução)
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247 - Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, morreu no domingo, 14 , depois de passar quase dez meses enfrentando graves sequelas causadas pela ingestão de gin adulterado com metanol. Morador de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, ele estava internado desde a quinta-feira anterior e, segundo a família, não resistiu a complicações pulmonares.

As informações são do g1. O jovem foi sepultado na segunda-feira, 15 de junho, após uma trajetória marcada por internações, limitações físicas severas e uma rotina de cuidados permanentes desde agosto de 2025, quando teria comprado a bebida em uma adega próxima de sua casa, no bairro Recreio Primavera.

O caso de Guilherme amplia a preocupação com intoxicações por metanol em São Paulo. A substância é um álcool de uso industrial, presente em solventes e produtos químicos, e pode ser altamente perigosa quando ingerida. No organismo, o metanol é metabolizado pelo fígado em compostos tóxicos capazes de afetar a medula, o cérebro e o nervo óptico, além de provocar cegueira, coma, insuficiência pulmonar, insuficiência renal e morte.

Antes da intoxicação, Guilherme trabalhava, havia comprado uma moto com o próprio esforço e sonhava em ser cantor. Também era pai de um menino de dois anos, que atualmente vive com familiares. Amigos o descreviam como um jovem ativo, ligado ao futebol e reconhecido pela habilidade nas partidas com colegas da rua.

A amiga da família Maiana do Nascimento relatou à TV Globo que os últimos meses foram de grande sofrimento. “Ele não estava andando, não realizava nenhuma refeição via oral, apenas por sonda. Tomava mais de dez remédios por dia. Falava poucas coisas e com dificuldade para ser compreendido”, contou, pelo celular da mãe de Guilherme, após o velório.

Segundo Maiana, os sintomas surgiram logo depois que Guilherme ingeriu a bebida. “Ao ingerir ele passou mal dizendo que estava com visão turva e embaçada. Fomos ao hospital e daí em diante começou a nossa luta pela vida dele. Ele sofreu diversas paradas cardíacas”, afirmou.

A família criou uma página nas redes sociais, no fim de 2025, para mostrar a realidade vivida pelo jovem após a intoxicação. As publicações reuniam imagens de Guilherme antes do episódio, registros de sessões de fisioterapia, momentos de fé, como o batismo nas águas em abril, e a alta hospitalar, quando profissionais de saúde o aplaudiram no corredor do hospital.

Diante da necessidade de cuidados contínuos, parentes também organizaram uma vaquinha para ajudar nas despesas. “Compramos itens pra uso pessoal dele e utilizamos para melhoria de locomoção dele dentro de casa”, disse Maiana.

A amiga ainda lembrou do perfil esportivo de Guilherme. “Guilherme jogava bola também e era destacado pelos amigos da rua por ser bem habilidoso”, afirmou.

O velório reuniu familiares, amigos e pessoas ligadas a outros casos de intoxicação por metanol no estado. Estiveram presentes Helena, mãe de Rafael Anjos Martins, e Sheily, irmã de Wesley Neves Pereira, também vítimas da bebida adulterada.

Rafael Anjos Martins, de 27 anos, morreu em novembro, depois de permanecer 52 dias em coma após ingerir gin adulterado na Zona Sul de São Paulo. O laudo médico apontou 155 mg/l de metanol no corpo dele, concentração que, segundo médicos ouvidos pelo g1, pode provocar coma profundo, lesão cerebral extensa e morte.

Wesley Neves Pereira, motoboy, recebeu alta em outubro depois de passar 45 dias internado por intoxicação por metanol. Ele ainda se recupera das sequelas.

Procurada pela TV Globo, a Prefeitura de Itapecerica da Serra informou que o caso de Guilherme "foi devidamente notificado e investigado à época dos fatos, seguindo todos os protocolos estabelecidos pelos órgãos de Vigilância em Saúde".

A Autarquia Municipal de Saúde afirmou ainda que aguarda documentos oficiais para avaliar a causa do óbito e uma eventual relação com a intoxicação anterior. "Em relação ao óbito ocorrido recentemente, a Autarquia Municipal de Saúde informa que aguarda o recebimento da documentação oficial, incluindo a Declaração de Óbito e demais laudos pertinentes, para confirmação da causa do óbito e eventual avaliação do nexo causal com o quadro de intoxicação anteriormente investigado. Somente após a conclusão dessas análises pelos órgãos competentes será possível confirmar se o caso possui relação com o evento ocorrido em 2025."

Até o boletim divulgado na segunda-feira, 15 de junho, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo contabilizava 54 casos confirmados de intoxicação por metanol desde 2025, com 12 mortes. O levantamento ainda não incluía o óbito de Guilherme.

As mortes confirmadas até então envolviam moradores da cidade de São Paulo, São Bernardo do Campo, Osasco, Jundiaí, Sorocaba e Mauá. Um caso suspeito envolvendo uma jovem em Santo André foi descartado após exames conduzidos pelo CIATox. "O caso foi descartado para intoxicação por metanol, após exames conduzidos pelo CIATox."

A Secretaria de Estado da Saúde orienta bares, empresas e estabelecimentos comerciais a reforçarem a fiscalização sobre a procedência das bebidas vendidas. A pasta também recomenda que consumidores comprem apenas produtos de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal.

"Quanto à população, a Pasta reforça para que sejam adquiridas apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando o consumo de produtos de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco. Para os pacientes com quadro incomum após ingestão de bebida alcoólica, estes devem procurar atendimento médico imediato, realizar exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. Os sintomas de alerta são dores abdominais intensas, tontura e confusão mental. O socorro em até 6h após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento".

O Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo oferece orientação para diagnóstico pelos telefones (11) 5012-5311 e 0800 771 3733. A morte de Guilherme reforça o alerta das autoridades sobre o risco de consumo de bebidas de origem duvidosa e mantém em evidência a série de casos de intoxicação por metanol registrada no estado desde 2025.