Após prisão de 35, manifestantes voltam às ruas em Aracaju nesta 5ª
Movimento "Não Pago" diz que espera que o ato de hoje seja pacífico; na terça-feira (25), durante o segundo protesto, houve tentativa de invasão ao prédio da prefeitura, a queima de um ônibus e agressão a jornalistas; 35 pessoas foram presas; para o ato desta quinta, a PM poderá mudar sua estratégia e se fazer mais presente durante a caminhada; redução da tarifa da passagem continua sendo foco dos protestos; Câmara aprovou redução de R$ 0,10 da passagem; "a pressão está surtindo efeito, mas muita coisa ainda está errada. Essa redução de R$ 0,10 no preço da passagem não passa de uma manobra política onde os vereadores da base de apoio ao prefeito João Alves Filho (DEM) tentam passar uma imagem de defensores dos desejos dos usuários”, afirma Demétrio Varjão, do "Não Pago"
Sergipe 247 – Mais uma edição do protesto “Acorda Aracaju” será realizada na tarde desta quinta-feira (27), na capital sergipana. A concentração para mais uma caminhada está agendada para as 16h, na Praça Fausto Cardoso. Melhorias dos serviços públicos, endurecimento contra a corrupção e redução da tarifa do transporte público da Grande Aracaju são as pautas do encontro. A coordenação do Movimento “Não Pago” informa que o objetivo do ato é ser produtivo e pacífico. Na última terça-feira (25), durante o segundo protesto, houve tentativa de invasão ao prédio da prefeitura, a queima de um ônibus e agressão a jornalistas. 35 pessoas foram presas.
De acordo com o economista Demétrio Varjão, membro do movimento, desde o início das mobilizações no Brasil, muitos avanços já foram conquistados pelo povo em prol do progresso da nação. Um desses aspectos positivos analisados por ele é a redução de R$ 2,45 para R$ 2,35 no valor da tarifa do transporte público da Grande Aracaju. “A pressão está surtindo efeito, mas muita coisa ainda está errada. Essa redução de R$ 0,10 no preço da passagem não passa de uma manobra política onde os vereadores da base de apoio ao prefeito João Alves Filho (DEM) tentam passar uma imagem de defensores dos desejos dos usuários”, disse, em entrevista ao Jornal do Dia.
No final do mês passado 17 vereadores votaram a favor do reajuste de 8,8% no preço da tarifa. Com essa redução, o reajuste, se comparado ao valor cobrado até maio (R$ 2,25) é de 4,4%. Apesar de o reajuste ficar abaixo da inflação nacional, Demétrio garantiu que o valor ideal seria de R$ 1,92, ou, em última instância, o chefe do executivo municipal deveria congelar o valor da tarifa deixada pelo ex-prefeito Edvaldo Nogueira. “Diante da precariedade do serviço, não vejo alternativa melhor que não aplicar um reajuste. As queixas relacionadas ao baixo número de veículos, qualidade dos ônibus e falta de pontualidade são constantes e infelizmente apenas cinco vereadores aparentam estar defendendo os interesses da população”, disse.
PM muda a estratégia
Reportagem assinada pelo jornalista Gabriel Damásio, do Jornal do Dia, informa que após os casos de vandalismo, confrontos e agressões registrados no segundo protesto do movimento "Acorda Aracaju", durante a noite de terça-feira, a Polícia Militar admite que poderá mudar a sua estratégia de policiamento para o terceiro protesto. O Comando Geral da corporação deve se reunir hoje de manhã para avaliar o esquema de segurança que vem sendo adotado desde o início das manifestações, sem descartar a inclusão de policiais fardados em contato com os participantes do ato - o que vinha sendo evitado nas duas primeiras passeatas.
Líderes do “Não Pago” foram chamados pelo Comando da PM para discutir a situação. "Nós vamos fazer uma reavaliação de todo o trabalho desempenhado no dia de ontem e certamente aplicaremos a melhor estratégia para evitar que atos de violência voltem a acontecer. Vamos chamar todas as lideranças, vamos conversar, chegar a um entendimento sobre a melhor forma de atuação da polícia, e esperamos que esses atos de violência não se repitam. Acreditamos na sociedade, acreditamos nos cidadãos de bem", afirmou o coronel Jackson Nascimento, comandante de Policiamento da Capital. Até o fechamento desta edição, o 'Não Pago' não confirmou presença na reunião.
A PM confirmou que 35 pessoas foram detidas durante a manifestação e levadas, em sua maior parte, para a 2ª Delegacia Metropolitana (Getúlio Vargas). Destes, sete foram autuados em flagrante pela depredação do ônibus e reconhecidos a partir de imagens do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) e do Serviço Reservado da PM (PM-2). Reinaldo dos Santos, 26 anos; Edvânio Santana Albuquerque, 19; e Adenilton Santiago Filho, 30 (que já tem passagem por tráfico de drogas), permaneceram presos pelo crime de incêndio qualificado, previsto no artigo 250 do Código Penal Brasileiro. Os outros, Marcelo Oliveira Barreto, 25 anos, Allan Santos Pereira, 18, e dois adolescentes foram autuados por dano ao patrimônio e tiveram que pagar uma fiança de dez salários mínimos (R$ 6.780).
Acompanhado pelo chefe do Estado Maior Geral da PM, coronel Luis Fernando Almeida, os oficiais admitiram a possibilidade de aumentar o efetivo de policiais envolvidos diretamente com a segurança do evento, que pode chegar a mais de 700 soldados - entre os de serviço e os paisanos, isto é, vestidos com roupas comuns. Todo o material colhido pelo Serviço Reservado, bem como imagens registradas pelo Ciosp, pela SMTT e por jornalistas que cobriram o ato, será usado em investigações da Polícia Civil para identificar os outros participantes dos atos violentos durante o protesto de anteontem. Eles também poderão ser responsabilizados pelos prejuízos causados ao patrimônio público.