Até o PSDB critica jovem reacionário de Alckmin

Ricardo Salles questionou a existência de crimes na ditadura; constrangidos, tucanos agora cogitam sua saída do cargo de secretário particular do governador por jogar contra o esforço do Governo de São Paulo em contribuir para esclarecer o período da repressão; filho de Rubens Paiva, morto sob tortura, pediu uma retratação de Alckmin; para o ex-governador Alberto Goldman, falta conhecimento de história ao advogado; já o senador Aloysio Nunes se diz contra "quando se tenta negar a existência de violações aos direitos humanos"

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247 – O advogado Ricardo Salles, secretário particular do governador Geraldo Alckmin, bem que tentou se explicar, mas sua declaração sobre a ditadura militar foi criticada até mesmo dentro do PSDB.

Durante um evento no Clube Militar, no Rio, no ano passado, ele questionou a existência de crimes na ditadura: “Não vamos ver generais e coronéis, acima dos 80 anos, presos por causa dos crimes de 64. Se é que esses crimes ocorreram...”, disse o advogado de 37 anos.

Surpreso com a repercussão que o caso ganhou, Salles tentou explicar: "o que quis dizer é que nem todos os militares cometeram crimes. Nunca neguei que houve crimes na ditadura."

Constrangido, tucanos agora questionam a permanência do jovem reacionário no cargo, que acompanha Alckmin em ações públicas, como no lançamento do acesso eletrônico a fichas do antigo Departamento de Ordem Pública e Social (Dops), central da repressão. Para eles, o assessor de Alckmin joga contra o esforço do governador em contribuir para esclarecer o período da repressão.

Responsável por cuidar da agenda do governador, ele também é um crítico da Comissão da Verdade e já disse em uma entrevista que “felizmente tivemos uma ditadura de direita no Brasil”.

O Palácio dos Bandeirantes não comentou a declaração, mas tem enfrentado o protesto de integrantes do governo que combateram a ditadura.

O senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), que lutou na clandestinidade contra a ditadura, também se manifestou: “Discordo quando se tenta negar a existência de violações aos direitos humanos”.

Já o ex-governador Alberto Goldman disse que falta conhecimento de história ao advogado. “No mínimo, ele desconhece a história brasileira”, afirmou o tucano, que foi filiado ao PCB enquanto o partido estava na clandestinidade.

O escritor Marcelo Rubens Paiva cobrou nesta quarta-feira do governador Geraldo Alckmin um pedido de desculpas do Estado de São Paulo pelas declarações de Salles. Antes de assumir o comando da agenda de Alckmin, Salles era conhecido por fundar o movimento Endireita Brasil (leia mais), como Rubens Paiva, que teve o pai morto durante a ditadura, destaca.

"Nesta semana, na cerimônia de entrega de parte dos arquivos do DOPS-SP digitalizados, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, apareceu com o novo secretário particular, o advogado Ricardo Salles, um provocador que já disse coisas como 'felizmente tivemos uma ditadura de direita no Brasil'", escreve Rubens Paiva em seu blog no Estadão.

"Mas a declaração mais chocante de Salles embrulha o estômago de muitas famílias vítimas da Ditadura, como a minha. Segundo o assessor do governador de SP, 'não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram'. Sim, esses crimes ocorreram", protesta o escritor. 

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