Aterosclerose. Quando as artérias estreitam

O diâmetro das nossas artérias pode ficar reduzido até a obstrução, devido à inflamação favorecida por excesso de colesterol e açúcar: a aterosclerose.

Aterosclerose. Quando as artérias estreitam
Aterosclerose. Quando as artérias estreitam

 

Por Anne Lefèvre-Balleydier – Le Figaro Santé

  

O risco de ver suas artérias estreitar aumenta com a idade, a hipertensão, o tabagismo, uma dieta muito rica, a falta de exercícios, a diabetes. Ele também se encontra diretamente relacionado à presença de uma taxa elevada de colesterol ruim, aquele que se apresenta sob a forma de gorduras associadas à proteínas de baixa densidade: os LDL. Finalmente, as pessoas sofrendo com a chamada «síndrome metabólica» estão particularmente expostas a esta ameaça: além de uma circunferência abdominal muito elevada, elas sofrem muitas vezes de hipertensão, apresentam um nível muito elevado de colesterol LDL no sangue e são propensas para desenvolver diabetes. Todos estes elementos contribuem ao que é chamado aterosclerose, um processo que se estende por várias décadas, podendo instalar-se já na adolescência.

Os glóbulos brancos fazem o papel de catadores de lixo

Tudo começa por uma inflamação na camada interna das artérias. Em resposta a ataques diversos e variados, devido à presença de alguns micróbios, à falta de oxigênio e um excesso de colesterol ou de açúcares, as células que revestem a parte interna dos vasos sanguíneos solicitam o auxílio de glóbulos brancos que circulam no sangue. Por conseguinte, sua ativação desencadeia uma série de reações inflamatórias, até entupir totalmente as artérias. Ao aderir, primeiramente na parede dos vasos sanguíneos e infiltrando-se, estes glóbulos brancos chamados macrófagos, fazem o papel de catadores de lixo e limpam as artérias. Mas, se tiverem muito trabalho, eles são incapazes de encará-lo. Assistidos por outra categoria de glóbulos brancos, os linfócitos, eles começam então a secretar moléculas que mantêm a inflamação e criam lesões. Trata-se das  placas de ateroma.

A aterosclerose é um processo lento, que pode durar muitos anos, décadas. Mas os depósitos de gordura que pouco a pouco entopem as artérias levará fatalmente a processos de entupimento.

A aterosclerose é um processo lento, que pode durar muitos anos, décadas. Mas os depósitos de gordura que pouco a pouco entopem as artérias levará fatalmente a processos de entupimento.

Colesterol: suas perguntas mais frequentes

E vem o tempo da migração das células musculares, do exterior para o interior da parede arterial onde eles secretam aglomerados de fibras. Em tempos normais, esta parede e os glóbulos brancos absorvem o colesterol sob a forma de gotículas. Mas além de certo limiar, a gordura acaba por se acumular e as fibras secretadas por células musculares a recobrem. O depósito assim formado reduz o calibre das artérias e atrapalha a circulação do sangue, o que já está na origem de distúrbios como a dor no peito.

Exercício físico diário e uma dieta saudável são os principais fatores que previnem a aterosclerose

Exercício físico diário e uma dieta saudável são os principais fatores que previnem a aterosclerose

Uma espada de Dâmocles

Mas outro perigo ameaça como uma espada de Dâmocles: a instabilidade da placa que pode rachar quebrar e soltar-se. Quanto mais elevada for a proporção de gordura mais a placa de ateroma é instável. Tanto é que as fibras que a sustentam são atacadas por glóbulos brancos. Os pedaços que se soltam podem então coagular e formar coágulos que permanecem no lugar ou se movem. Se a artéria afetada irrigar o coração, há um risco de infarto; se forem nas artérias carótidas que conduzem ao cérebro, há um risco de AVC.

Na espera que uma compreensão cada vez mais fina destes mecanismos inflamatórios abra o caminho para novos tratamentos, já dispomos de medicamentos que atuam sobre a placa de ateroma e a fluidez do sangue. Mas nada pode substituir a prevenção básica que se encontra em uma alimentação equilibrada, exercícios e ausência total de tabaco.

 

ATEROSCLEROSE: O QUE É, COMO PREVENIR


Por: Drs Luiz E. M. Cardoso e Jorge L. Medeiros Jr

Fonte: Academia Nacional de Medicina ( http://www.anm.org.br/)

O termo aterosclerose pode ser descrito como um depósito irregularmente distribuído de gordura (lipídeos) na parede de artérias de calibre médio ou grande, causando um estreitamento da luz arterial. Esse termo não deve ser confundido com arteriosclerose, que significa simplesmente um endurecimento da parede da artéria. A aterosclerose é uma das causas de arteriosclerose, mas existem outras, como a hipertensão arterial e a calcificação da parede arterial que ocorre com o envelhecimento.

A característica mais marcante da aterosclerose é, portanto, o acúmulo de gordura na parede das artérias. Dessa forma, para que possamos entender melhor a doença aterosclerose, é necessário um conhecimento mais detalhado sobre as artérias e sobre a gordura que há no sangue.

Artérias são estruturas tubulares e ramificadas que conduzem o sangue oxigenado vindo dos pulmões e impulsionado pelo coração para todos os tecidos do corpo. Assim as células dos tecidos recebem oxigênio, que é essencial para o seu funcionamento normal. Portanto, qualquer obstrução em uma artéria, seja parcial ou total, levará a uma diminuição na quantidade de sangue que chega às células. Essa condição é denominada isquemia, e a consequente carência de oxigênio causará um sofrimento, ou até mesmo a morte das células relacionadas ao ramo arterial obstruído. A isquemia é responsável pelas manifestações clínicas da doença aterosclerose, que variam em função do grau de obstrução e do local em que ela ocorre. Por exemplo, obstruções nas artérias que nutrem o coração (artérias coronárias) são graves, pois podem ser fatais.

A parede arterial contém diferentes camadas (ou túnicas), cada uma com diferentes tipos de células, e o espaço vazio central por onde passa o sangue é chamado de luz arterial. A túnica mais interna, chamada de íntima, contém uma camada de células conhecidas como endotélio, que está em contato direto com o sangue, e uma camada de tecido mais frouxo, rico em proteínas e carboidratos. Segue-se a túnica média, que é composta principalmente por células musculares lisas, e por fim há a túnica adventícia, a mais externa.

A gordura derivada da nutrição, que inclui triglicérides e colesterol, é pouco solúvel em um meio aquoso como o sangue, e para que ela seja transportada para locais de utilização ou armazenagem, é modificada em lipoproteínas, que são mais solúveis. A lipoproteína conhecida como LDL ("colesterol ruim") leva o colesterol para as células, enquanto que a HDL ("colesterol bom") remove o colesterol livre dos tecidos.

Obesidade, sedentarismo e dieta errada, ao contrário, levam direto para a aterosclerose.

Obesidade, sedentarismo e dieta errada, ao contrário, levam direto para a aterosclerose.

Existem diversas situações em que uma quantidade maior de LDL entra na parede das artérias. Isso geralmente é causado por alterações no endotélio, que por sua vez estão associadas a fatores como hiperlipidemia, hipertensão arterial, fumo e diabetes. Essa alteração endotelial, seguida de um maior influxo de LDL na parede da artéria, dá início à doença aterosclerose. Esses eventos desencadeiam uma complexa reação inflamatória na parede da artéria, em que uma das primeiras etapas é a retenção da LDL na túnica íntima, especialmente no tecido frouxo que existe abaixo do endotélio. Muitas dessas moléculas de LDL são alteradas quimicamente, através de um processo chamado de oxidação, e são depois incorporadas por células especializadas no combate a agentes agressores, conhecidas como macrófagos. Esse processo estimula não apenas a migração de células musculares lisas da túnica média para a túnica íntima, como também sua proliferação. Sob a ação de vários fatores inflamatórios que são liberados por essas células, há também um aumento na produção de moléculas do tecido conjuntivo, como colágenos e proteoglicanos. Como resultado desse acúmulo de lipídeos, proliferação celular e síntese aumentada de tecido conjuntivo, começa a se formar lentamente um espessamento localizado da túnica íntima, que é chamado de placa de ateroma. O crescimento dessa placa reduz, portanto, a luz da artéria, como se fosse um cano entupido e assim menos sangue passará pela artéria. Gradualmente a placa aumenta de tamanho e em seu interior muitas células morrem, principalmente os macrófagos repletos de LDL. Esse processo libera enzimas degradativas, o que eventualmente levará à ruptura da placa e a formação de trombos (coágulos de sangue). Fragmentos da placa e do trombo podem se desprender e ocluir totalmente a luz da artéria, de modo que a área de tecido suprida ficará sem oxigênio e morrerá. Se esse evento ocorre no coração ele é chamado de infarto do miocárdio, que pode ser fatal. Na verdade, globalmente essa é a principal causa de morte e dados recentes mostram que 4,4 milhões de pessoas morrem anualmente dessa doença. Outras regiões do corpo também podem apresentar aterosclerose, como o sistema nervoso central, rins e membros inferiores. Como consequência, pode haver infarto cerebral (acidente vascular cerebral), aneurismas de aorta e gangrena das pernas.

A aterosclerose tem um crescimento lento e só apresenta sintomas em estágio avançado. Portanto, a melhor estratégia para a população como um todo é a prevenção. Com base no conhecimento que foi obtido nas últimas décadas, medidas efetivas podem ser tomadas para prevenir/tratar a aterosclerose. Uma das mais importantes é evitar níveis altos de colesterol LDL, seja por meio do controle da dieta e/ou através de medicação específica, principalmente para os casos de hipercolesterolemia familiar.

A ilustração a seguir ilustra o principal efeito da formação da placa de aterosclerose.

Esquema ilustrando uma artéria normal e outra artéria acometida de estreitamento (estenose) devido a presença de uma placa de aterosclerose.

  

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