Ato contra genocídio marca posse de Secretário
No dia em que Fernando Grella assume como novo Secretário de Segurança Pública de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, movimentos se reúnem em ato contra o genocídio, na Praça da Sé; protesto questiona crimes que envolvem a polícia e pede esclarecimentos ao governo; na troca do comando, madrugada não deu trégua e registrou 11 mortos
247 – A posse do novo Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, nesta quinta-feira no Palácio dos Bandeirantes, foi marcada por um "Ato contra o Genocídio" realizado durante a manhã, na Praça da Sé. Em protesto aos crescentes casos de homicídios que vêm ocorrendo na Grande São Paulo, movimentos sociais e ONGs se reuniram para convidar o governador Geraldo Alckmin e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a prestarem esclarecimentos à população, numa audiência pública, sobre a recente onda de violência.
Os grupos são articulados pelo Comitê contra o Genocídio da População Pobre, Negra e Periférica. Segundo o grupo, a maioria dos mais de 250 assassinatos ocorridos no Estado nos últimos 30 dias é de jovens pobres, negros e periféricos. Na noite desta quarta-feira e madrugada de quinta, 11 pessoas foram mortas na Grande São Paulo. No ato da Praça da Sé, os movimentos lançaram um comitê pedindo a investigação de mortes de civis que envolvem policiais. O documento também pede a responsabilização do governador, do Secretário de Segurança Pública e do comando da PM por esses crimes.
Novo comando
Em seu discurso durante a cerimônia de posse, na sede do governo de São Paulo, o ex-procurador-geral da Justiça, Fernando Grella, defendeu que é preciso colocar em prática ações contra o crime, com respeito aos direitos humanos. Segundo ele, é preciso "desfazer a noção equivocada de que o combate firme ao crime e o respeito aos direitos humanos são excludentes. Não são".
O novo Secretário diz que pretende implantar inovações e introduzir novas formas de trabalho, exigidas pelo momento de violência vivido atualmente. Ele defende o aperfeiçoamento da transparência, a inclusão da sociedade civil e a troca de conhecimento entre as Polícias Militar e Civil. Grella destacou ainda a necessidade de "melhorar o serviço da inteligência" e afirmou que ainda pode haver mudanças na cúpula da Segurança.
