BHTrans receberá a 1ª proposta de rodízio
Ela será feita na próxima semana pelo Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte. Capital mineira já está perto do 1,5 milhão de veículos nas ruas, o que tornou o trânsito caótico nos horários de pico
Minas 247 - Era inevitável: a BHTrans, órgão municipal responsável pela administração do trânsito em Belo Horizonte, receberá a primeira proposta formal de implantação do rodízio de automóveis na cidade. O Sindicato dos Taxistas, que representa 6 mil profissionais, fará o pedido na próxima semana.
A favor da implantação, pesa o fato de que o trânsito da capital mineira está a cada dia mais pesado e beirando o caos nos horários de pico. A cidade já está perto do 1,5 milhão de veículos nas ruas. A alternativa aos rodízios é a melhora do sistema público de transportes, mas isso exige muito dinheiro e tempo. Até que esse aperfeiçoamento ocorra, o rodízio parece ser uma boa proposta.
Mas há razões para imaginar que o pedido dos taxistas não será contemplada. Pelo menos este ano, com as eleições de outubro, é difícil imaginar que a Prefeitura de BH implantará uma medida considerada impopular, principalmente para a classe média. Além disso, os donos de automóveis são tradicionalmente contrários a propostas de rodízio e não medirão esforços em manifestar-se assim na imprensa, internet e nas ruas.
A PBH bancaria o rodízio num cenário desses?
Leia o texto do jornalista Celso Martins, do jornal Hoje em Dia:
A BHTrans vai receber na semana que vem o primeiro pedido formal de uma entidade de classe para a implantação do rodízio de carros na capital. A proposta será apresentada pela direção do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), que representa cerca de seis mil profissionais.
Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), até o mês de agosto, Belo Horizonte deve atingir a marca de 1,5 milhão de veículos nas ruas da cidade. O crescimento da frota será um dos argumentos do sindicato para conseguir que a restrição da circulação de veículos seja implantada ainda neste semestre.
“Por causa dos congestionamentos cada vez mais críticos, um taxista está gastando quase três horas para ir e voltar do Centro de Belo Horizonte ao Aeroporto de Confins. Vamos tentar o apoio de outras entidades para conseguir convencer a BHTrans a implantar o rodízio”, declarou o presidente do sindicato, Dirceu Efigênio Reis.
O Sindicato dos Taxistas vai formalizar o pedido de implantação do rodízio na semana que vem, mas, antes, vai tentar a assinatura de mais três entidades. O engenheiro Carlos Eduardo Amaral, especialista em trânsito, e consultor de trânsito da Prefeitura de São Paulo, avalia que o rodízio em Belo Horizonte é uma das alternativas para diminuir os congestionamentos. “Em vez de restrição dos os dias da semana, a capital mineira pode ter rodízio apenas para um final de placa todas as segundas e sextas. Isso vai representar cerca de 5% a menos de carros nas ruas”, explica. O especialista lembra que a restrição em São Paulo vale para todos os dias.
O presidente do Conselho de Política Empresarial de Política Urbana da Associação Comercial de Minas, José Aparecido Ribeiro, é contra o rodízio de veículos. Ele sugere outras alternativas. Uma delas a “carona solidária”.
“A maioria dos carros circula apenas com uma ou duas pessoas. Os pais que moram na mesma região podem combinar de levar três crianças para a escola. A cada semana, essa responsabilidade fica com uma família”, sugeriu. José Aparecido defende ainda a mudança do horário das escolas públicas para diminuir a quantidade de veículos nos principais corredores da cidade.
“Muitas vezes, o trânsito para por causa de um carro quebrado. Se o número de guardas fosse aumentado nas ruas, esses problemas seriam resolvidos. O rodízio é um atraso para a cidade e tira o direito de ir e vir do cidadão”, disse.
A direção da BHTrans não quis comentar o pedido do Sindicato dos Taxistas. Na semana passada, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) criou uma comissão para discutir alternativas para melhorar o trânsito da capital.