Boulos: Apoio à luta dos estudantes deveria ser compromisso de todos

“As pessoas questionam por que o movimento sem-teto está envolvido na luta. Ora a pergunta não é porque o movimento social apoia, mas por que outros setores não estão apoiando? A educação é uma demanda do conjunto da sociedade e deveria ser um compromisso de todos os que pensam no futuro do Brasil”, disse o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos

“As pessoas questionam por que o movimento sem-teto está envolvido na luta. Ora a pergunta não é porque o movimento social apoia, mas por que outros setores não estão apoiando? A educação é uma demanda do conjunto da sociedade e deveria ser um compromisso de todos os que pensam no futuro do Brasil”, disse o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos
“As pessoas questionam por que o movimento sem-teto está envolvido na luta. Ora a pergunta não é porque o movimento social apoia, mas por que outros setores não estão apoiando? A educação é uma demanda do conjunto da sociedade e deveria ser um compromisso de todos os que pensam no futuro do Brasil”, disse o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos (Foto: Roberta Namour)
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Por Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual 

São Paulo – O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, afirmou ontem (2) que apoiar o movimento dos estudantes deveria ser um compromisso de toda a sociedade e não apenas dos movimentos sociais. Ele e representantes de outras organizações, coletivos, sindicatos, pastorais sociais e institutos de pesquisa participaram ontem (2) de um ato público contra projeto de “reorganização” do ensino feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que irá fechar pelo menos 93 escolas e transferir compulsoriamente 311 mil estudantes.

“As pessoas questionam por que o movimento sem-teto está envolvido na luta. Ora a pergunta não é porque o movimento social apoia, mas por que outros setores não estão apoiando? A educação é uma demanda do conjunto da sociedade e deveria ser um compromisso de todos os que pensam no futuro do Brasil”, disse Boulos. “O governo Alckmin deveria deixar claro que essa política não passa por motivações pedagógicas. É um corte de verba, uma faceta do ajuste fiscal no estado, que vai levar ao fechamento de escolas e à superlotação de salas de aula.”

A presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, a Bebel, afirmou que tem encontrado com pessoas que se manifestam contra o fechamento de escolas, mas que criticam o fato de movimentos sociais estarem participando da mobilização. “E as crianças das ocupações, os filhos dos trabalhadores, estudam onde?”, questionou. “É excelente que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o MTST e todos os movimentos sociais estejam debatendo educação.”

O ato reuniu pelo menos 200 pessoas na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no centro da capital paulista, entre apoiadores, estudantes e representantes de organizações sociais. Estiveram presentes entidades como a Pastoral Operária, a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, a União Nacional dos Estudantes (UNE), o grupo Tortura Nunca Mais, o coletivo de estudos de mídia Barão de Itararé, o Comitê Contra o Genocídio da População Negra, o Levante Popular da Juventude, o Movimento Nacional de Direitos Humanos e a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes).

“O movimento dos estudantes nos escancara uma série de outras questões contra as quais lutar. Uma delas é a criminalização de quem luta, principalmente dos pobres e negros”, disse o coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro. “A educação no Brasil sempre foi um privilégio de quem tem dinheiro e agora ela avança na perspectiva de um direito. É um grande momento, em que o campo e a cidade podem discutir que tipo de educação queremos, não só para São Paulo, mas para o Brasil.

A "reorganização" escolar, criada por Alckmin sem um diálogo prévio com a comunidade escolar, desencadeou a ocupação de 207 escolas, segundo o último levantamento da Apeoesp, além de uma série de protestos. Só ontem, cinco estudantes foram presos durante um ato no centro de São Paulo duramente reprimido pela polícia militar. Novas prisões já ocorreram hoje.

O governo de São Paulo publicou ontem (1º), em apenas 166 palavras, o decreto que autoriza a transferência de professores para a implementação da reorganização escolar. O texto não é assinado nem sequer pelo secretário estadual de Educação, Herman Voorwald, e não menciona que 93 escolas serão fechadas, apesar de a própria Secretaria Estadual de Educação ter publicado, em 28 de outubro, a lista das escolas que serão "disponibilizadas", segundo palavras do órgão.

“Eu não vivi a ditadura, mas estamos enfrentando situações parecidas com a da época. Nossos telefones estão grampeados e estamos sendo seguidos por policiais. Ontem estive em Piracicaba e uma viatura me acompanhou de longe até eu deixar a última ocupação que fui visitar”, denunciou a presidenta da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Ângela Meyer. “Só vamos sair quando o Alckmin vier a público dizer que não vai haver mais reorganização. Já estamos preparados para passar o Natal e o Ano Novo ocupados se precisarmos.”

Na manhã de domingo (29), 40 dirigentes de ensino do estado se reuniram com o chefe de gabinete do secretário de Educação, Fernando Padula Novaes, e receberam instruções de como quebrar a resistência de alunos, professores e funcionários. Novaes repetiu inúmeras vezes que se trata de "uma guerra", que merece como resposta "ações de guerra" e que "vai brigar até o fim". O áudio foi publicado pelo coletivo Jornalistas Livres, e replicado por diversos sites e blogues, inclusive pela Rede Brasil Atual. Desde segunda-feira (30), estudantes denunciam que investidas truculentas contra as ocupações têm sido intensificadas pela Polícia Militar e pelos chamados "provocadores", supostos pais e diretores que criam confusão nos prédios ocupados, para justificar a entrada da PM nas escolas.

“Pessoas da Cracolândia, em situação de rua, também estão indo prestar apoio e solidariedade aos estudantes. Esses meninos estão tendo a aula mais importante do ano e se eu pudesse dar um recado, diria: falem não, resistam, ocupem! Não tem arrego!”, bradou no auditório o coordenador da Pastoral do Povo de Rua, padre Júlio Lancellotti. “A Faculdade de Educação da USP declara apoio irrestrito aos estudantes, que estão dando uma lição de coragem e de esperança, mostrando que é possível lutar e resistir com dignidade contra as decisões do governo”, afirmou a professora da instituição Maria Izabel de Almeida.

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