Cabine de telemedicina. Ela nos faz ganhar um tempo precioso
Com seus sensores integrados, esta cabine de telemedicina de última geração é capaz de avaliar certos parâmetros fisiológicos do paciente e transmiti-los instantaneamente a um médico. Com esses dados à mão, um diagnóstico à distância correto se torna muito mais seguro.
Por: Cécile Thibert – Le Figaro
“Quando eu trabalhava na Ásia, as distâncias eram um entrave para a prática médica”, conta Franck Baudino. Médico de clínica geral apaixonado por tecnologia, ele não retornou defasado por causa dos anos que passou em países remotos nos quais ter acesso a um médico pode ser coisa bem difícil.
Em 2006, Franck Baudino imaginou uma cabine de consulta médica que possibilitasse recriar um laço entre o paciente e o médico, apesar dos quilômetros que podiam separá-los. Dois anos mais tarde, ele fundou a empresa H4D. Hoje possuidora de todas as licenças, testada, certificada, a primeira cabine de telemedicina do mundo, com seus ares de cápsula espacial, foi implantada em vinte lugares diferentes da França (serviços hospitalares de emergência, prontos socorros, dispensários em lugares carentes de médicos, etc).
Graças a seus sensores e programas integrados, o dispositivo é capaz de fornecer ao profissional médico um balanço do estado de saúde do paciente (peso, altura, frequência e atividade cardíaca, pressão arterial, acuidade visual, índices de glicemia, etc). Um ganho de tempo considerável para as equipes hospitalares do serviço de onco-geriatria do Hospital Universitário Avicenne (APHP), em Bobigny, França, que utiliza a cabine desde junho de 2015. “Obtemos dados essenciais rapidamente”, explica o médico Frédéric Pamoukdjian, onco-geriatra do Hospital Avicenne. “Isso permite ganhar um tempo que podemos empregar para prolongar nosso encontro pessoal com o paciente”.
Médicos especializados em teleconsulta
Outra explicação inesperada: a pesquisa clínica. “Diferente das outras cabines, esta contem sensores que permitem avaliar a força física e a massa muscular dos nossos pacientes”, detalha o dr. Pamoukdjian. Esses parâmetros permitem determinar se o paciente está sofrendo de sarcopenia (a perda de massa e força na musculatura esquelética com o envelhecimento), por exemplo, que pode ser diminuída e postergada com a prática de exercícios físicos, desde que o processo seja detectado cedo. “Queremos utilizar essa máquina para ver como os pacientes que sofrem ao mesmo tempo de sarcopenia e de um câncer de pulmão vivem e reagem aos tratamentos anticancerosos”, explica o geriatra.
Franck Baudino e sua equipe formaram cerca de quarenta médicos especializados em teleconsulta. Colocados em relação com o paciente através de um monitor, esses profissionais podem realizar até 92% dos procedimentos que eles realizam normalmente em um consultório, segundo um estudo conduzido pela empresa H4D. Remunerados segundo as tarifas convencionais, tais profissionais no entanto só podem consagrar à atividade de telemedicina a metade das suas horas de trabalho.
“Claro, a cabine não resolve todos os problemas”, explica Franck Baudino. “Se alguém se queixa de dores torácicas, nós temos de remetê-lo ao pronto-socorro mais próximo!” Da mesma forma, a cabine de telemedicina não serviria de nenhuma ajuda para uma pessoa que se apresenta com uma ferida aberta, ou para aqueles que apresentam um sério déficit cognitivo. “Mas estamos prontos para trabalhar no desenvolvimento desse equipamento, já que, pelo menos na França, tudo em relação a ele está perfeitamente em ordem, e os resultados com os pacientes são muito bons. O único problema – diz Baudino – são as administrações oficiais que estão bastante esclerosadas: precisamos esperar 14 meses para obter uma assinatura em agência regional de saúde!”
