Cachoeira ganha mais uma, agora por 'falta de provas'

Livre das grades mesmo após ser condenado pela Justiça Federal a mais de 39 anos de cadeia, contraventor é inocentado em processo por corrupção; ele foi denunciado pelo MP goiano por supostamente negociar a compra de uma sentença judicial favorável à manutenção de contrato para exploração de jogos em Goiás; testemunha chave simplesmente não foi localizada para confirmar as acusações em juízo

BRASÍLIA, DF, 22.05.2012: CPI DO CACHOEIRA/DF -  O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, durante audiência na CPI Mista, no Senado, no Congresso Nacional, em Brasília. Carlinhos Cachoeira é acompanhado de seu advogado Márcio Thomaz Basto
BRASÍLIA, DF, 22.05.2012: CPI DO CACHOEIRA/DF - O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, durante audiência na CPI Mista, no Senado, no Congresso Nacional, em Brasília. Carlinhos Cachoeira é acompanhado de seu advogado Márcio Thomaz Basto (Foto: Realle Palazzo-Martini)
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Goiás247_ A Justiça de Goiás inocentou o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, de acusação de corrupção ativa por suposta compra de sentença judicial. A denúncia, formulada pelo Ministério Público Estadual, sustentava que o bicheiro teria oferecido R$ 95 mil ao juiz Avenir Passo de Oliveira para obter decisão favorável em ação que pedia a nulidade do contrato de uma de suas empresas, a Gerplan, que explorava jogos por concessão do governo do Estado.

A decisão, publicada em primeira mão pela jornalista Carla Borges, do jornal O Popular, de Goiânia, se deu por falta de provas e foi proferida pelo juiz da 10ª Vara Criminal, Adegmar José Ferreira. Além de Cachoeira, também foi absolvido o procurador de Justiça Roldão Izael Cassimiro, acusado de intermediar a venda da sentença. Por possuir foro privilegiado, o juiz Avenir Passo de Oliveira será julgado pelo Tribunal de Justiça.

A base da denúncia do PM se sustentava em depoimento de Marta Vilian Bento da Rocha, então mulher do ex-procurador Roldão. Ela afirmou que um cheque de Cachoeira no valor de R$ 126 mil foi depositado na conta dela em garantia da compra da sentença. Segundo Marta, o cheque depois foi trocado por dinheiro, e R$ 31 ficou com o ex-marido, pela intermediação, e R$ 95 foi para o juiz. O argumento, porém, não se sustentou, já que Marta não foi localizada para prestar depoimento em juízo.

O juiz que inocentou Cachoeira e o procurador sugeriu na sentença que a mulher teria feito a denúncia movida por um desejo de vingança. Ele ponderou que Marta Vilian chegou a tentar matar o ex-marido, o que fragilizou a acusação.

Liberdade

Não tem sido fácil para promotores e procuradores colocar Cachoeira atrás das grades. Apesar das muitas investigações, escândalos, CPIs, processos e condenações, Cachoeira passou apenas nove meses na cadeia, entre os presídios de Mossoró (RN) e da Papuda, em Brasília. Mas o contraventor conseguiu um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região e desde então recorre de suas penas em liberdade. Em apenas uma condenação, resultante do processo da Operação Monte Carlo, Cachoeira pegou mais de 39 anos.

Em abril último, o Tribunal de Justiça do Rio reduziu para 6 anos e 8 meses de reclusão as penas do ex-presidente da Loterj, Waldomiro Diniz da Silva, e de Cachoeira. Os desembargadores da 1ª Câmara Criminal absolveram os dois do crime de fraude em licitação. Em fevereiro de 2012, eles haviam sido condenados pela 29ª Vara Criminal do Rio por corrupção e fraude do Edital de Licitação nº 1/2002 da Loterj. A conversa entre os dois foi gravada clandestinamente por Carlinhos Cachoeira e, divulgada pelo contraventor, gerou a primeira crise no governo Lula.  Waldomiro à época era subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República e homem de confiança do então ministro da Casa Civil, José Dirceu.

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