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Caiado colhe assinaturas para duas CPIs do BNDES

Líder do DEM mobiliza parlamentares para instalação da comissão no Senado e também por uma CPI mista; no requerimento, o parlamentar informa que o objetivo é investigar empréstimos concedidos pelo banco com supostos indícios de ilegalidades e cita nominalmente empresas como JBS Friboi, Sete Brasil e Odebrecht, que executou as obras do Porto de Mariel, em Cuba; para ser instalada, comissão precisa da assinatura de 27 senadores; no caso da mista, são necessários também 171 deputados

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional destinada à leitura de expedientes e apreciação dos Vetos Presidenciais. Em pronunciamento, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado (Foto: Realle Palazzo-Martini)

247 - O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado (GO), começou a coletar assinaturas para instalação de CPI e de CPI mista para investigar empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os requerimentos de autoria do senador pedem apuração dos financiamentos com inícios de ilegalidades a exemplo dos concedidos a JBS Friboi, a Sete Brasil, além dos executados em favor de projetos em Cuba, Equador e Venezuela. Para ser instalada, a CPI precisa da assinatura de 27 senadores; no caso da mista são 27 senadores e 171 deputados.

“O BNDES deixou de ser um banco de desenvolvimento econômico e social para se transformar em financiador dos amigos do rei. Não há transparência quanto aos termos e garantias dos empréstimos e vários indícios de ilicitudes. Um exemplo é o financiamento bilionário ao JBS Friboi, coincidentemente, o maior doador da campanha à reeleição da presidente Dilma”, argumentou o líder.

Caiado classifica como emblemático o caso do empréstimo de R$ 8 bilhões ao grupo JBS Friboi. Em 2014, o BNDES negou acesso aos documentos do financiamento ao Tribunal de Contas da União sob alegação de que haveria sigilo bancário de suas transações. O argumento não foi aceito pelo TCU e o BNDES ingressou com um mandato de segurança para manter as informações secretas.

Já para a Sete Brasil Participações foi concedido apoio financeiro de R$ 10 bilhões para a construção de nove sondas de perfuração, algumas delas contratadas pela Petrobras. Caiado alega falta de garantias e alto endividamento da empresa. Outros casos que o líder considera suspeitos referem-se aos empréstimos de R$ 4,6 bilhões para empresas brasileiras que atuaram em Cuba, Angola, Equador e Venezuela.

As operações, diz ele, chamaram a atenção do Ministério Público pelas quantias liberadas classificadas como operações sigilosas ou a fundo perdido. O investimento mais notório foi a construção do porto de Mariel, em Cuba, com repasses de R$ 1 bilhão do banco a construtora Odebrecht.

“É absurdo o volume de recursos que a União tem colocado no caixa do BNDES para esse tipo de financiamento. De 2006 a 2014, o endividamento do banco junto o Tesouro Nacional aumentou 4.802%”, completou Caiado.