Campos se junta aos sindicalistas contra MP dos Portos
Governador de Pernambuco e potencial candidato a presidente da República, Eduardo Campos (PSB) se encontra nesta segunda-feira com o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva; medida do setor portuário criticada pelos trabalhadores é a oportunidade que o PSB tem de melhorar sua relação, hoje considerada distante, com os sindicatos
Leonardo Lucena _PE247 – O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), se encontra nesta segunda-feira (4), no Palácio do Campo das Princesas, com o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), que busca apoio de lideranças políticas contra a Medida Provisória 595, a MP dos Portos. Nos bastidores, circula a informação de que para alguns integrantes do PSB a principal dificuldade para Campos, potencial candidato à Presidência da República, consolidar o seu nome em nível nacional é a distância entre o seu partido e as centrais sindicais.
O parlamentar procurou Eduardo Campos, que também é presidente do PSB, porque o governador se posicionou publicamente contra a MP do setor portuário, que permite a concessão de novos terminais privados cujos processos licitatórios estarão sob responsabilidade da Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq). Na opinião do governador, a medida tira a autonomia dos portos. O sindicalista tem dito que a iniciativa vai gerar desemprego, pois a classe patronal não será obrigada a contratar mão de obra por meio do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) e os trabalhadores terão uma remuneração menor.
O posicionamento de Campos e de Paulinho em relação à MP é contrário ao da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição no próximo ano. Isso quer dizer que, além de já ter conquistado boa parte das lideranças políticas e do empresariado ao defender um novo Pacto Federativo para dar mais autonomia aos estados e municípios a fim de gerirem suas próprias políticas econômicas, o socialista poderá ter o apoio da Força Sindical rumo ao seu projeto presidencial, mesmo que sua candidatura ainda esteja indefinida. Um fator que pesa contra Dilma é que, segundo os sindicalistas, não há diálogo com a categoria como havia com o ex-presidente Lula.
No encontro, Paulinho também vai convidar Campos para participar de uma plenária que será realizada pela Força Sindical no final deste mês. O PSB é mais próximo da Central de Trabalhadores do Brasil (CTB), a quarta maior do país, que possui 624 sindicatos e 694 mil associados, sendo quatro vezes menor que a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT, com 2.172 sindicatos e 2,7 milhões de associados. O pedetista se encontrou, na semana passada, com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e terá outros encontros com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que apoia os sindicalistas.
Vale ressaltar que o encontro entre Paulinho e Campos também pode ter ainda outro viés político, uma vez que o deputado se articula para criar o Partido da Solidariedade. Rumo às eleições presidenciais de 2014, também surgem rumores de que o governador pernambucano estaria negociando com o marqueteiro político, Duda Mendonça, que atuou na campanha do ex-presidente Lula, em 2006. Porém, os socialistas ligados ao gestor negam tal movimentação.
Se, por um lado, o governador se aproxima da Força Sindical, por outro, resta saber como o "cacique-mor" do PT, Lula, principal articulador político do seu partido e que recebeu elogios, recentemente, dos sindicalistas pelo diálogo que tinha com a categoria quando era presidente, vai reagir a esta aproximação do movimento com o governador pernambucano a fim de promover uma relação amistosa da presidente Dilma com o setor sindical.