Caps da prefeitura corre risco de ser despejado
Centro de Atenção Psicosocial que atende na Rua 132 no setor Sul em Goiânia recebeu ordem de despejo há cerca de noventa dias; ordem foi emitida devido à falta de pagamento do aluguel do imóvel; pacientes também afirmam que ambulatório ainda sofre com falta de medicamentos
Goiás 247_ A crise na rede pública de saúde no município de Goiânia expõe mais um capítulo que chega até a ser curioso pois envolve a prefeitura da Capital. O Ambulatório Municipal de Psiquiatria do Centro de Atenção Psicosocial (Caps), que atende na Rua 132 no setor Sul em Goiânia recebeu ordem de despejo há cerca de noventa dias.
A ordem foi emitida devido à falta de pagamento do aluguel do imóvel, que é de responsabilidade da prefeitura de Goiânia. Atualmente, a prefeitura paga - ou deveria pagar - R$ 7.500,00 por mês pelo imóvel, avaliado em mais de R$ 2 milhões.
O ambulatório atende nesse endereço há seis anos. Um funcionário revela que há dois meses vem sendo ameaçado com ação de despejo. "O pagamento do aluguel aqui é uma bagunça. A prefeitura paga dois meses e fica devendo mais oito meses, paga um mês sim e outro não. O pior é que ninguém quer alugar imóvel para prefeitura, pois sabem que é má pagadora”, contou.
De acordo com informações repassadas pelo funcionário, o ambulatório já possuiu sede própria no Jardim Goiás. Esse imóvel foi doado pelo empresário Lourival Louza, dono do Shopping Flamboyant, mas foi vendido no mandato de Iris Rezende (PMDB).
"Agora nós temos que conviver com ameaças de despejo por falta de pagamento de um imóvel alugado, o que adiantou vender o imóvel para ficar no aluguel”, desabafou o funcionário.
Késio Silva, funcionário público, lamenta a perda e diz que quem sofre é o paciente. “Nós vamos ficar totalmente sem força e sem apoio. Tenho colegas que participam das terapias que não tem dinheiro nem para pagar o ônibus, eles vêm à pé. Se o Caps mudar para longe como poderão continuar os tratamentos".
O Ambulatório atende hoje cerca de 30 mil pessoas entre dependentes químicos e pacientes com transtorno mental. Prestam atendimento psicólogos, psiquiatras, psicoterapêuticos além de oferecer medicamentos farmacêuticos também para os pacientes com transtorno mental encaminhados pela clínica psiquiátrica Wassily Chuc, em Goiânia.
MEDICAMENTOS
Além da ameaça de despejo por falta de pagamento, os pacientes sofrem com a falta de medicação. Um dos remédios mais requisitados pelos pacientes, o antidepressivo Carbamazepina (para evitar convulsão), está em falta há dois meses no Caps.
“A denúncia já é antiga”, diz um funcionário. Os remédios só aparecem quando a imprensa mostra a falta medicamentos na unidade de saúde. “Quando alguém chama a televisão, chegam poucos remédios que duram cerca de três dias. Essa quantidade não atende a demanda dos pacientes. Quando os remédios acabam, os problemas continuam”, disse.