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Carol Solberg, que pediu Fora Bolsonaro: meu grito foi pelo Pantanal e pela Amazônia

Carol Solberg foi uma das pessoas mais comentadas nos últimos dias, desde que, após conquistar a medalha de bronze da primeira etapa do vôlei de praia brasileiro com sua companheira de dupla Talita, gritou "Fora, Bolsonaro", em entrevista ao vivo ao SporTV. Com sua atitude, ela trouxe para o esporte a polarização política entre bolsonaristas e progressistas

Carol Solberg e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Carolina Antunes/PR)

247 - Carol Solberg foi festejada pelos progressistas e vítima da fúria dos bolsonaristas, depois que gritou "Fora Bolsonaro" em entrevista ao vivo na SportTV, ao conquistar a medalha de bronze de vôlei de praia. 

Apoiadores de Jair Bolsonaro pediram que a atleta tivesse patrocínio do Banco do Brasil cortado.  Mas Carol não é patrocinada pelo banco, e sim o Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia. Da mesma forma, ela também não recebe o bolsa-atleta atualmente, embora uma fake news, usando uma tabela do benefício de 2018, tenha sido propagada para atacar a jogadora.

Carol recebeu o apoio de oposicionistas que se alegraram com seu protesto. 

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, a jogadora comenta suas críticas ao governo Bolsonaro, explica o que sentiu no momento em que fez o grito e defende que os atletas possam se manifestar. Carol é filha de Isabel, um dos grandes nomes do vôlei brasileiro na década de 80.

"Quando estou em quadra é onde tenho voz, não planejei nada, foi totalmente espontâneo naquele momento", disse a atleta.

"Meu grito foi pelo Pantanal que está em chamas em sua maior queimada já registrada e continua a arder sem nenhum plano do governo. Pela Amazônia, que registra recordes de focos de incêndios. Pela política covarde contra os povos indígenas. Por acreditar que tantas mortes poderiam ter sido evitadas durante a atual pandemia se não houvesse descaso e falta de respeito à ciência. Por ver um governo com desprezo total pela educação e a cultura. Por ver cada dia mais os negros sendo assassinados e sem as mesmas oportunidades. Por termos um presidente que tem coragem de dizer que “o racismo é algo raro no Brasil”. São muito absurdos e mentiras que nos acostumamos a ouvir, dia após dia. Não posso entrar em quadra como se isso tudo me fosse alheio. Falei porque acredito na voz de cada um de nós".

"Tenho recebido muito apoio. Na verdade, todas as pessoas que eu admiro e que são importantes para mim só me deram força. Foi muita gente incrível...  Esse papo de que não se deve misturar esporte e política não dá mais. Numa democracia, todas as pessoas podem e devem expressar suas opiniões sobre qualquer assunto. Todo mundo tem o direito de se manifestar.

Leia a íntegra da entrevista no Estado de S.Paulo