Caso Benício: investigação responsabiliza médica, técnica de enfermagem e diretores por morte de criança
Benício morreu após receber uma dose incorreta de adrenalina na veia no Hospital Santa Júlia, na capital amazonense.
247 - A investigação sobre a morte de Benício Xavier, de 6 anos, concluiu que quatro pessoas devem ser responsabilizadas pelo caso ocorrido em um hospital particular de Manaus. Entre os apontados constam a médica que fez a prescrição do medicamento, a técnica de enfermagem que aplicou a injeção e dois diretores da unidade hospitalar.
A informação foi divulgada pelo Fantástico. Segundo a reportagem, Benício morreu após receber uma dose incorreta de adrenalina na veia no Hospital Santa Júlia, na capital amazonense.
O caso teve forte repercussão após a família relatar a sucessão de acontecimentos que antecederam a morte do menino. Benício deu entrada no hospital no dia 22 de novembro, com tosse seca e suspeita de laringite, quadro que inicialmente indicava um atendimento de menor complexidade.
De acordo com os relatos apresentados, o menino recebeu prescrição de lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml a cada 30 minutos. A medicação foi aplicada por uma técnica de enfermagem.
Pouco depois do atendimento, o estado de saúde da criança se agravou de forma rápida. Segundo a família, Benício ficou pálido, apresentou membros arroxeados e chegou a dizer que "o coração estava queimando". Em seguida, ele foi encaminhado para a UTI, onde sofreu paradas cardíacas.
A família permaneceu por quase 14 horas dentro do hospital acompanhando a evolução do quadro. Imagens exclusivas exibidas pelo Fantástico mostraram os pais e outros familiares na sala de espera e também momentos do atendimento prestado ao menino.
Investigação aponta responsabilidades
A conclusão da investigação responsabiliza diretamente a médica Juliana Brasil Santos, que teria feito a prescrição errada e a técnica de enfermagem que aplicou a adrenalina. Além delas, a polícia também apontou a responsabilidade de dois diretores do hospital pela morte de Benício.
O resultado da apuração amplia o alcance das responsabilizações no caso, ao incluir integrantes da direção da unidade de saúde. A investigação, conforme apresentado pela reportagem, não se limitou à conduta da equipe assistencial que participou do atendimento imediato ao menino.
O caso passou a ser tratado como um episódio de grave falha no atendimento hospitalar. A conclusão indica que a morte da criança não foi atribuída apenas à execução do procedimento, mas também à cadeia de decisões e responsabilidades dentro da estrutura da instituição.
Atendimento e agravamento do quadro
Segundo a família, Benício chegou ao hospital com sintomas compatíveis com laringite. Durante o atendimento, a prescrição incluiu adrenalina por via intravenosa, o que, de acordo com a investigação, resultou em administração incorreta do medicamento.
Após a aplicação, o menino apresentou piora acelerada. Os relatos dos familiares reforçam a dramaticidade do momento e o impacto da reação imediata à medicação. A frase "o coração estava queimando", atribuída a Benício, tornou-se um dos elementos mais marcantes do caso.
Com o agravamento, a criança foi levada para a unidade de terapia intensiva. Apesar das tentativas de estabilização, sofreu paradas cardíacas e não resistiu.
O episódio provocou comoção e levou os pais a cobrar esclarecimentos sobre o que ocorreu dentro do hospital. Em reportagens anteriores, a família já havia denunciado uma sequência de erros no atendimento e cobrado a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal.