Celg: Marconi e Lobão tentam destravar acordo
Governador de Goiás e ministro de Minas e Energia discutiram em Brasília quatro pontos que ainda emperram a federalização da companhia energética goiana; após a visita da presidente Dilma Rousseff a Anápolis, onde falou à imprensa sobre o assunto e mostrou mais uma vez boa vontade para resolvê-lo, o ministro Lobão, a pedido da presidente, ligou para Marconi e acertou a audiência; Estado quer um compromisso maior da Eletrobrás com a eventual prorrogação da concessão
247 - O governador Marconi Perillo esteve em audiência, ontem em Brasília, com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, para tratar dos assuntos que estão dificultando a negociação para a transferência de 51% das ações da Celg para a Eletrobras, conforme acordo firmado ano passado.
Na noite de terça-feira (12), após a visita da presidente Dilma Rousseff a Anápolis, onde falou à imprensa sobre o assunto e mostrou mais uma vez boa vontade para resolvê-lo, o ministro Lobão, a pedido da presidente, ligou para o governador Marconi e acertou a audiência realizada ontem pela manhã, para encaminhar a solução definitiva da federalização da Celg. O encontro ocorreu no início da tarde na sede do Ministério de Minas e Energia, em Brasília.
A reunião teve por objetivo a retomada das discussões sobre os pontos que ainda impedem a federalização definitiva da Celg. “Tanto nós como o ministro estamos envidando todos os esforços para que essas arestas sejam aparadas o mais rápido possível para que tenhamos a retomada dos investimentos da Celg com a consequente melhoria na qualidade dos serviços prestados à população”, disse o governador ao final do encontro.
Marconi deixou para avaliação da equipe técnica da Eletrobras quatro itens que considera indispensáveis para que o acordo com o governo do Estado seja selado. Segundo o presidente da Celg-Par, Fernando Navarrete, que acompanhou o governador na audiência, o Estado quer um compromisso maior da Eletrobrás com a prorrogação da concessão. “A Eletrobras pleiteia hoje a cláusula em que se a prorrogação não acontecer, ela sairia do negócio. Isso para nós não se justifica”, comentou o dirigente da estatal. A Celg quer ainda uma garantia de que a operação de crédito de R$ 1,9 bilhão garanta também recursos para novos investimentos na empresa.
Em várias discussões, a Eletrobras reafirmou sua posição favorável a que os recursos decorrentes da operação de crédito sejam revertidos para os cofres dela a título de pagamento dos créditos que ela possui. “Não achamos isso correto”, limitou-se a comentar Navarrete.
Outro ponto defendido pelo governo do Estado está relacionado à qualidade dos serviços. “Precisamos de uma garantia de que essa qualidade esteja dentro dos padrões exigidos pela Aneel e pelo governo. Defendemos como imprescindível essa cláusula de resultado”, salientou.
A última cláusula refere-se à partilha dos lucros da empresa. O governo de Goiás entende que, com a prorrogação, haverá um grande ganho econômico e financeiro. “Se a prorrogação acontecer, e todos nós contamos com isso, queremos que a Eletrobras não fique com todo esse ganho. Esperamos que se reconheça que se trata de um esforço conjunto e se discuta a divisão desses recursos.”
Na próxima segunda-feira haverá uma reunião do conselho da Celg-Par para a discussão da promessa de compra e venda. “Nossa expectativa é que até lá tenhamos uma questão concreta para votação”, finalizou Navarrete.
